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quinta-feira, junho 29, 2006

Magda Reprezas, professora e mãe


Para ti, que me criaste e educaste, deixo um grande beijinho de parabéns.

domingo, junho 25, 2006

Holanda 13 - Portugal 28

Relação professor-aluno nas aulas de Física do Secundário.

sexta-feira, junho 23, 2006

Primeira Convenção APC


A Associação Portuguesa de Ciclídeos foi criada há 3 anos e conta actualmente com quase 200 membros.

É finalmente tempo da nossa primeira convenção. Será uma maneira de divulgar informação sobre ciclídeos e de incentivar a sua manutenção. Para muitos entusiastas é também uma oportunidade de escoar os peixes excedentes e de obter novas espécies.

Programa:
  • Sábado, 24 Junho 2006

    1. Palestras. Divulgaremos brevemente a lista completa de palestras.

      09:30H – Recepção
      10:00H – Ciclídeos Sul Americanos do género Apistogramma, por Dr. Wolfgang Staeck
      11:15H – Coffee Break
      11:40H – Palestras
      13:00H – Intervalo para Almoço
      14:30H – Peixes de Aquário da América do Sul Subtropical (Paraguai, Uruguai, Argentina), por Dr. Wolfgang Staeck
      15:45H – Palestras
      16:05H – Coffee Break
      15:45H – Palestras
      17:55H – Encerramento
    2. Recepção de Peixes: 8:00H – 11:30H

    3. Exposição dos peixes: 8:00H – 18:00H

    4. Jantar e cerimónia de entrega dos prémios: 20:30H


  • Domingo, 25 Junho 2006

    Leilão: 10:00H - 13:00H

quinta-feira, junho 22, 2006

Rómulo de Carvalho, professor e mestre

"Ensinar é tornar as coisas mais comuns do mundo em objectos de contemplação e reflexão. Precisamos de transformar tudo o que nos rodeia, tudo o que é estranho - e no entanto parte da nossa realidade - num desejo real de compreender"

Rómulo de Carvalho

GEDEÃO, António, 51v 3 poems and other writings, organizado por A. M. Nunes dos Santos, 1ª edição, Viseu, FCT da Universidade Nova de Lisboa,1992, 11p.

terça-feira, junho 20, 2006

Rómulo de Carvalho / António Gedeão



Em Novembro deste ano terão passado 100 anos desde o nascimento deste nosso poeta-pedagogo - cidadão consciente - professor de Física e de Química muitíssimo competente - etc.
Veja-se partes da sua biografia:

http://www.citi.pt/cultura/literatura/poesia/antonio_gedeao/biografia.html

O seu Poema da Eterna Presença em Poemas Póstumos, 1983, realça a sua delicadeza frontal, a sua visão científico-filosófica do Universo:

Estou, nesta noite cálida, deliciadamente estendido sobre a relva,
de olhos postos no céu, e reparo, com alegria,
que as dimensões do infinito não me perturbam.
( O infinito!
Essa incomensurável distância de meio metro
que vai desde o meu cérebro aos dedos com que escrevo! )
O que me perturba é que o todo possa caber na parte,
que o tridimensional caiba no dimensional, e não o esgote.
O que me perturba é que tudo caiba dentro de mim,
de mim, pobre de mim, que sou parte do todo.
E em mim continuaria a caber se me cortassem braços e pernas
porque eu não sou braço nem sou perna.
Se eu tivesse a memória das pedras
que logo entram em queda assim que se largam no espaço
sem que nunca nenhuma se tivesse esquecido de cair;
se eu tivesse a memória da luz
que mal começa, na sua origem, logo se propaga,
sem que nenhuma se esquecesse de propagar;
os meus olhos reviveriam os dinossáurios que caminham sobre a Terra,
os meus ouvidos lembrar-se-íam dos rugidos dos oceanos que engoliram continentes,
a minha pele lembrar-se-ía da temperatura das geleiras que galgaram sobre a Terra.
Mas não esqueci tudo.
Guardei a memória da treva, do medo espavorido
do homem da caverna
que me fazia gritar quando era menino e me apagavam a luz;
guardei a memória da fome;
da fome de todos os bichos de todas as eras,
que me fez estender os lábios sôfregos para mamar quando cheguei ao mundo;
guardei a memória do amor,
dessa segunda fome de todos os bichos de todas as eras,
que me fez desejar a mulher do próximo e do distante;
guardei a memória do infinito,
daquele tempo sem tempo, origem de todos os tempos,
em que assisti, disperso, fragmentado, pulverizado,
à formação do Universo.
Tudo se passou diante partes de mim.
E aqui estou eu feito carne para o demostrar,
porque os átomos da minha carne não foram fabricados de propósito para mim.
Já cá estavam.
Estão.
E estarão.








sexta-feira, junho 16, 2006

James Clerck Maxwell



"As pessoas, de início, não seguem causas dignas. Seguem líderes dignos, que promovem causas dignas."

segunda-feira, junho 12, 2006

Carta aberta à Senhora Ministra da Educação

Esta carta, que será divulgada também na comunicação social, tem como objectivo contribuir para a reflexão acerca da Qualidade da Educação do nosso país.

Neste sentido, e ao invés de contestar ponto por ponto a sua proposta de alteração ao Estatuto da Carreira Docente, os docentes deste país ficam-se pelas suas consequências, o tal efeito prático que a Sr.ª Ministra prefere dissimular num jogo falacioso e perigoso, atirando-nos, pais e professores, uns contra os outros.

Embora tenha surgido como o maior engodo – o de chamar os pais à escola - da história da Educação deste país, na verdade, a avaliação dos Docentes pelos Pais e Encarregados de Educação, representa apenas uma ponta da ponta de um iceberg, uma linha de texto num documento de 54 páginas. Interessa apenas a quem se limita a promover manobras de diversão facilmente identificáveis, parecendo ignorar que nenhum professor sério irá temer se for avaliado de forma séria. É vergonhoso, até para nós que somos portugueses, verificar o calculismo e a facilidade com que a Sr.ª Ministra aborda a questão complexa, como é a de avaliar os desempenhos dos professores, sem o mínimo de profundidade, preferindo, sem olhar a meios, o populismo fácil e barroco.

Recorrendo a meras hipóteses, se o novo estatuto fosse, numa eventualidade pouco inteligente, aprovado, o docente teria um número fechado de vagas para Muito Bons e Excelentes. Assim, perguntamos nós: e se, num acaso, os professores de uma escola excederem o número premeditado de Excelentes? Escolher-se-iam os melhores dos melhores e passar-se-iam os outros para Muito Bom e os que tinham a dita nota para o Bom? Ou, numa outra eventualidade, rasurar-se-iam as notas, de forma a não se levantarem polémicas no seio de uma escola que se quer unida e sempre controlada?

Talvez se vislumbre uma resposta se se conhecerem melhor os dezasseis pontos em que o hipotético docente será avaliado, previsto no artigo 46º do hipotético novo estatuto:

. o professor será avaliado pelos resultados escolares dos alunos.
Explicar-nos-á a Sr.ª Ministra como pode um professor de uma má escola, e em muitas "má" será sempre um doce eufemismo, ter o mesmo nível de qualidade na sua avaliação de um colega seu numa boa escola? Será então que os professores têm as mesmas medidas e oportunidades de uma boa avaliação? Ou, por outro lado, bastará que se avalie positivamente os alunos, independentemente da realidade?

. o professor será avaliado pelas taxas de abandono escolar? Certamente que no Ministério ainda andam à procura de uma resposta coerente a esta pergunta. Imaginemos que existe uma comunidade de etnia cigana numa escola ou que em determinada localidade, e não são assim tão poucas, os pais querem retirar os filhos da escola para que trabalhem com eles. Como pode o professor ser penalizado por uma situação como esta onde a responsabilidade não lhe cabe? Não se deveriam criar medidas coerentes para um mundo real? Neste caso como seria, então? Seriam penalizados todos os docentes daquela escola ou apenas daquela turma? Não será esta uma medida oportunista, em que se acusam os professores da incompetência, de um governo que não cria segundas verdadeiras opções para os jovens que abandonam o ensino ou que simplesmente querem mais? Não será esta medida economicista, visto que, deste modo, os professores ficam limitados na sua avaliação, o que prejudica seriamente a sua progressão e, naturalmente, os impede de subir de escalão e vir a auferir um melhor salário?

. apreciação do trabalho colaborativo do docente? O que significa exactamente trabalho colaborativo? E para colaborar com o quê? Ou com quem? Terá a Sr.ª Ministra intenção de instigar ao mau ambiente na sala de professores ou a de tornar menos transparentes algumas avaliações? Haverá aqui uma vontade de tornar ambíguo o que se quer simples e preciso? Talvez, na sua visão, "dividir para reinar" faça um sentido que não cabe nesta profissão!

. apreciação realizada pelos pais e encarregados de educação. Consegue a Sr.ª Ministra avaliar com a exacta certeza uma pessoa que nunca viu e cuja imagem foi construída apenas por uma criança ou pelos comentários de outras? Serão todos os pais capazes de avaliar os professores através de quase nada? É essa a avaliação que pede aos professores, quando se trata de avaliar os seus alunos? Avaliar com pouco? Mas sempre num nível positivo, de forma a não transtornar os pais? A Sr.ª Ministra quer que nós acreditemos que uma avaliação realizada desta forma irá ser objectiva e transparente? Muito embora cada um dos pontos tenha um peso, que ainda não se conhece, tal questão parece-nos irremediavelmente condenada ao fracasso, pelo menos se observada de um ponto de vista sério e rigoroso.

. avaliação através da observação de aulas? Quais são os critérios adoptados pela Sr.ª Ministra? Imaginemos que decorre a avaliação de dois docentes distintos em dois locais diversos. Cada um dos quais está a ser medido por um hipotético professor titular. Imaginemos que são duas escolas em meios diferentes. Encontra-se a Sr.ª Ministra capaz de nos assegurar que ambas as avaliações serão correctas ou que, sendo invertidos os lugares, os docentes manteriam a mesma qualificação ou quase? Nestas contas entram factores demasiado subjectivos. Numa mesma escola, o mesmo professor pode obter dois níveis diferentes, se for avaliado, por exemplo, por titulares de distintas sensibilidades. Suponhamos, por outro lado, que a aula corre mal, porque o professor está engripado ou porque os alunos vieram de uma visita de estudo. Será sério avaliar todo um ano escolar com três visitas à sala? Será sério fazer depender a progressão na carreira desta forma?

Os docentes passariam a ser avaliados em dezasseis pontos ou itens de classificação como lhe chama a Sr.ª Ministra. Destes, quinze são perfeitamente subjectivos, e um deles, o que respeita à assiduidade, o único preciso porque se trata de um número, a Sr.ª Ministra trata-o com a ligeireza que parece ser o seu maior dom.

A Sr.ª Ministra não se nega a coarctar aos docentes qualquer esperança, ainda que infeliz, de poderem assegurar o seu desempenho se caírem doentes numa cama. O professor passa, assim, a ser obrigado a cumprir 97% do seu serviço lectivo, se quiser progredir na carreira. À priori, esta medida parece ser finalmente a resposta aos pedidos dos pais e encarregados de educação dos nossos alunos. Será assim tão óbvia e tão simples esta leitura? Três por cento de faltas como máximo, representa cinco dias de faltas por ano? Explique-nos, por favor, a Sr.ª Ministra como justifica o facto de não poder estar doente. Fazemos notar que não falamos apenas de nós próprios, aqui também cabe a assistência à família. Repare a Sr.ª Ministra que os professores lidam com crianças, cerca de vinte e cinco por cada uma das cinco turmas (em média, claro está), e que estas mesmas crianças adoecem e se constipam e nos constipam. E nós sabemos que às vezes mais vale ficar um dia em casa e recuperar a saúde, do que prestar um mau serviço público. Os docentes têm um grande respeito pela sua profissão. Nenhum professor sério falta para ficar a dormir. Teremos que "contagiar" toda uma escola necessariamente, em nome da graduação profissional, uma vez que só serão devidamente justificadas as doenças em regime ambulatório.

Por outro lado, repare Sr.ª Ministra, pois talvez ainda não o tenha feito, que a grande maioria dos docentes está deslocada da sua casa, longe dos seus familiares. Esta enorme massa humana que se desloca pelo país, em milhares de quilómetros mensais, aos princípios e fins-de-semana, em veículo próprio, e que entrega dinheiro ao estado nos impostos de combustíveis, está muito sujeita a ter contratempos na estrada ou com a mecânica do seu automóvel, e que, a partir de agora, estes mesmos cidadãos manterão esta distância durante três e depois quatro anos!

No que diz respeito às mães ou futuras mães, não compreendemos como pode a Sr.ª Ministra querer avançar com um estatuto que as espartilhará – a maternidade é um direito protegido pela Constituição da República Portuguesa. É-nos dito que, no decorrer desse ano, a docente não será avaliada, pelo que a mãe terá nesse ano a mesma classificação que lhe for atribuída no seguinte, ou seja, bastar-lhe-á faltar seis dias para que não progrida na carreira dois anos. Saberá a Sr.ª Ministra o complexo que é cuidar de uma criança durante os primeiros meses e anos de vida? Numa primeira fase, a do período do parto, o novo estatuto salvaguarda as mães para depois as deixar desamparadas numa segunda fase, como se a maternidade se esgotasse no acto de "dar à luz".

Contempla alguns destes dados na sua proposta, Sr.ª Ministra, ou prefere tratá-los com a distância da sua demagogia? Como quer a Sr.ª Ministra estabilidade docente, aquela que tanto aclama, convencendo apenas quem ignora a realidade do que é ser educador, se qualquer uma das acções que toma vai no sentido de criar instabilidade e insatisfação? Como quer a Sr.ª Ministra docentes produtivos e colaborativos se instiga ao fascismo redutor, como se lidasse com gente disposta a rebaixar-se aos seus pés sem que lhe fosse levantado um par de olhos? Como quer a Sr.ª Ministra um alto nível de rendimento escolar e uma enorme qualidade para a Educação quando atira medidas lassas para cima de uma mesa, onde se discute o futuro?

Este é um assunto sério, Sr.ª Ministra, nenhum professor está aqui para brincar! À Sr.ª Ministra interessa ter os pais do seu lado, independentemente dos meios, o que lhe interessa são os fins economicistas, cada vez mais sublinhados por cada medida que assina.

Pretende convencer os professores deste país que um tecto ao fim de doze anos de carreira é um objectivo para quem tem que ser avaliado e classificado todos os anos? As demagogias criadas para iludir a opinião pública são os instrumentos de trabalho utilizados pelo estado, mas do tempo da outra senhora, quando a Sr.ª Ministra ainda tinha a esperança de viver numa democracia – se é que teve…

Parece-nos que todas estas medidas foram lançadas ao ar para justificar o trabalho de alguns caciques que há muito não leccionam e que pululam de gabinete em gabinete na esperança, certamente vã, de lhe apresentar algum trabalho, uma vez que, somente quando já não tiver professores no seu ministério, vossa Senhoria ficará plenamente satisfeita.


Junho de 2006

Um grupo de Professores desrespeitados

domingo, junho 11, 2006

Registo: As escolhas do Presidente

Apoś uma ano de perseguição sistemática aos professores, a uma escala nunca vista no Portugal Democrático, restando à Ministra como solução de desespero a tentativa de os contrapôr aos pais dos alunos, registo simplesmente este facto:
Entre os premiados no 10 de Junho de 2006, foram os professores os mais bem representados (contando com artistas, militares, economistas, médicos, empresários e demais profissões). Sirva de ensejo aos que procuram recuperar o primado das leis da Pedagogia na gestão das escolas; e também para aumentar a visibilidade daqueles que se têm esforçado sem terem visto o seu mérito reconhecido; e, já agora, para colocar um ponto final no perigoso deslize populista em que se enredou o discurso oficial nesta matéria.

sábado, junho 10, 2006

Vítor Serpa - in "A Bola" - Porque hoje é sábado - Jogo pelos professores

Não costumo ler jornais desportivos porque não aprecio futebol enquanto alienação de massas. O meu pai disse-me, quando eu era criança, que o futebol servia a ditadura de Salazar para distrair o povo dos problemas centrais do país. Eu assimilei e concordo com ele. Actualmente até se servem deste desporto para ensinar às crianças o Hino Nacional...(quero acrescentar, no entanto, que considero qualquer desporto, incluindo o futebol, importante no desenvolvimento físico e psicológico de todos os jovens e adultos).

No entanto, não me considero preconceituosa e, como tal, transcrevo este artigo que saiu na Bola e que me surpreendeu, de certo modo, pela clareza de ideias do seu autor:

"Os professores andam em pé de guerra. Como os professores são normalmente distantes uns dos outros, os seus pés de guerra andam por aí semeados como pés de salsa, espalhados pelo País. De Norte a Sul. Os professores estão descontentes. Com a vida que lhes corre mal, porque ninguém os valoriza; com os colegas , que só se interessam por resolver a sua vidinha; com os alunos que os desconsideram e maltratam; e, acima de tudo, com o Governo da Nação, que os desvaloriza, os desautoriza e os desmoraliza.

Nunca fui um estudante fácil e sabia que um professor desautorizado era um homem ( ou uma mulher ) morto na escola. Não quero dizer fisicamente mas profissionalmente. Como sempre fui bom observador, conhecia de gingeira os professores fortes e os professores fracos. Os fortes resolviam por si próprios, a questão. Alguns pela autoridade natural do seu saber e da sua atitude, outros de forma menos académica. Os fracos eram defendidos pelos reitores. Ir à sala de um reitor era, já por si, um terrível castigo. Mas bem me lembro que professores fortes e fracos, bons e nem por isso, se protegiam, se defendiam e se reforçavam na sua autoridade comum.

Já nesse tempo se percebia que tinha de ser assim, porque, se não fosse, os pais comiam-nos vivos e davam-nos, já mastigados, aos filhos relapsos. E isso a Escola não consentia. Os pais, dito assim de forma perigosamente genérica, sempre foram entidades pouco fiáveis em matéria de juízo sobre os seus filhos e, por isso, sobre quem deles cuida, ensina e faz crescer. Os pais sempre foram o pavor dos professores de natação, dos técnicos do futebol jovem, dos animadores das corridas de rua. Os pais, em casa, acham os filhos umas pestes mas, na escola, no campo desportivo, no patamar da casa do vizinho, acham os filhos virtuosos e sábios.

Os pais são, insuportáveis e, colectivamente, uma maldição. Claro que há pais... e pais. E vocês sabem que não me refiro aos pais a sério, que são capazes de manter a distância e o bom senso. Falo dos outros, dos pais e das mães que acham sempre que os seus filhos deviam ser os capitães da equipa e deviam jogar sempre no lugar dos outros filhos.

O trágico disto tudo é que são precisamente esses pais os que, na escola, se acham verdadeiramente capazes de fazer a avaliação, o julgamento sumário dos professores dos seus filhos, achando que eles só servem para fazer atrasar os seus Einsteinzinhos.

Por isso eu aqui me declaro a favor dos professores. Quero jogar na equipa deles contra a equipa dos pais e ganhar o desafio da vida real e do futuro deste país contra o desafio virtual dos pedagogos de alcatifa."

Um abraço
José Victor

sábado, junho 03, 2006

Jose António Vieira da Silva - Terror em dois actos



No espaço de apenas 10 dias tive o desprazer de ser ameaçado por Sua Excelência de prisão de dois a oito anos (dia 19 de Maio, atravez da sua funcionária Luísa Silva) e de dedução dos meus benefícios (dia 29 de Maio, pela sua funcionária Rosa Maria Pimenta Araújo).
O Senhor Ministro é tido como "um especialista, de há muito, em questões de segurança social" (Público, 31 de Março de 2001). Vale a pena, portanto, apreciar o comportamento do seu Ministério.


Desde há um ano que me encontro na situação de desemprego. Após convites feitos pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) de Moscavide, comecei a frequentar o Curso de Gestão de Projectos no Centro Formação Profissional de Alverca a 13 de Fevereiro passado. Até aqui o Estado comportou-se como pessoa de bem e eu estava satisfeitíssimo.
Os formandos do IEFP gozam de uma bolsa de estudo e, por esse motivo, a Segurança Social reduz num montante igual as prestações do subsídio de desemprego. É um arranjo que em nada afecta os formandos desempregados, pensei para comigo. Sendo dois serviços do mesmo Ministério, ademais dirigido por uma especialista, trata-se de um acerto contabilístico imediato.
Para minha surpresa, a Directora do Curso Drª Paula Serra, aconselhou vivamente os formandos a assinar um requerimento à Direcção do Centro para que fosse passada uma declaração à Segurança Social comunicando a data de início da bolsa de estudo. Não percebi imediatamente o alcance desta atitude. Claro que assinei imediatamente esse requerimento - dia 13 de Fevereiro - e recebi a resposta assinada a 15 de Março, que entreguei pessoalmente à delegação de Loures dos serviços que tutela (Segurança Social) no dia 22 de Março. Entretanto as prestações de Fevereiro e de Março da Segurança Social não vieram deduzidas do valor correspondente à Bolsa de Estudo do IEFP que, ao ser paga, me colocou na desconfortável posição de devedor. Fiquei a aguardar uma nota de devolução da Segurança Social indicando o modo de acertar as contas.


Quando ainda me encontrava no Centro de Alverca no dia 19 de Maio, a sua funcionária Luísa Silva entregou em minha casa um aviso atravez do qual tomei conhecimento de que: 1) eu estava a auferir do subsídio de desmprego; 2) fui visitado por um tecnico dos serviços do seu Ministério; 3) não foi possível (o tecnico) contactar-me; 4) que pendia sobre mim a obrigação de comunicar qualquer situação que acarretasse a suspenão do subsídio de desemprego (como, por exemplo, encontrar um novo emprego) ou a redução das prestações (como, por exemplo, a frequência de um curso); 5) o não cumprimento dessa obrigação constituía uma burla tributária e fraude à Segurança Social.


No dia 29 de Maio, como esperava, tomei finalmente conhecimento do processo de devolução das quantias em dívida. O que me surpreendeu foi o modo como a nota de devoluçao veio escita. O requinte da senhora Directora Distrital da Segurança Social de Lisboa chegou ao ponto de invocar como comunicação oportuna o chorrilho de ameaças gratuitas que constituiu a visita inexpressiva do dia 19. Se a sua funcionária tivesse aproveitado a ocasião para me informar sobre o procedimento da devolução, junto com um pedido de desculpas pelo incómodo gerado pelo mau funcionamento do Ministério a que preside, a estas horas já a dívida não existiria.


Senhor Ministro: considera porventura legítimo, ou pelo menos eficaz, tentar colmatar falhas de comunicação entre os seus funcionários com operações de intimidação aos cidadãos? Acha que os desempregados deste País, para além de terem o problema da reactivação da sua vida económica, têm também que se constituír em estafetas dos serviços que superintende? É assim que demonstra que "a ... dignidade do indivíduo se sobrepõe ao Estado"? Os serviços da sua tutela não têm orçamento para pagar telefones, faxes, emails, ou mesmo rêdes de computadores? Se a falta dos seus funcionários tem gravidade suficiente para colocar cidadãos em risco de prisão, de que está à espera para agir?

Gostaría de lhe comunicar que me sinto ofendido, mas não consigo porque dessa forma já estaría a conceder aos serviços da sua tutela uma dignidade que ainda não demonstraram merecer; são demasiado incompetentes e com manifestos laivos herdados do antigo regime. E nesta classe permanecerão enquanto não derem provas se serem capazes de um comportamento mais consentâneo com qualquer concepção de Estado Moderno, ao serviço dos cidadãos.
Posto isto, vou assinar o cheque.


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