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quarta-feira, agosto 30, 2006

Vasco Graça Moura - História do futuro

A escola que temos não exige a muitos jovens qualquer aproveitamento útil ou qualquer respeito da disciplina. Passa o tempo a pôr-lhes pó de talco e a mudar-lhes as fraldas até aos 17 anos.

Entretanto mostra-lhes com toda a solicitude que eles não precisam de aprender nada, enquanto a televisão e outros entretenimentos tratam de submetê-los a um processo contínuo de imbecilização.

Se, na adolescência, se habituam a drogar-se, a roubar, a agredir ou a cometer outros crimes, o sistema trata-os com a benignidade que a brandura dos nossos costumes considera adequadas à sua idade e lava-lhes ternurentamente o rabinho com água de colónia.

Ficam cientes de que podem fazer tudo o que lhes der na real gana na mais gloriosa das impunidades.

Não são enquadrados por autoridade de nenhuma espécie na família, nem na escola, nem na sociedade, e assim atingem a maioridade.

Deixou de haver serviço militar obrigatório, o que também concorre para que cheguem à idade adulta sem qualquer espécie de aprendizagem disciplinada ou de noção cívica.

Vão para a universidade mal sabendo ler e escrever e muitas vezes sem sequer conhecerem as quatro operações. Saem dela sem proveito palpável.

Entretanto, habituam-se a passar a noite em discotecas e noutros proficientes locais de aquisição interdisciplinar do conhecimento, até às cinco ou seis da manhã.

Como não aprenderam nada digno desse nome e não têm referências identitárias, nem capacidade de elaboração intelectual, nem competência profissional, a sua contribuição visível para o progresso do país consiste no suculento gáudio de colocarem Portugal no fim de todas as tabelas.

Capricham em mostrar que o "bom selvagem" afinal existe e é português.

A sua capacidade mais desenvolvida orienta-se para coisas como o Rock in Rio ou o futebol. Estas são as modalidades de participação colectiva ao seu alcance e não requerem grande esforço (do qual, aliás, estão dispensados com proficiência desde a instrução primária).

Contam com o extremoso apoio dos pais, absolutamente incapazes de se co-responsabilizarem por uma educação decente, mas sempre prontos a gritar aqui-d'el-rei! contra a escola, o Estado, as empresas, o gato do vizinho, seja o que for, em nome dos intangíveis rebentos.

Mas o futuro é risonho e é por tudo o que antecede que podemos compreender o insubstituível papel de duas figuras como José Mourinho e Luiz Felipe Scolari.

Mourinho tem uma imagem de autoridade friamente exercida, de disciplina, de rigor, de exigência, de experiência, de racionalidade, de sentido do risco. Este conjunto de atributos faz ganhar jogos de futebol e forma um bloco duro e cristalino a enredomar a figura do treinador do Chelsea e o seu perfil de condottiere implacável, rápido e vitorioso. Aos portugueses não interessa a dureza do seu trabalho, mas o facto de "ser uma máquina" capaz de apostar e ganhar, como se jogasse à roleta russa.

Scolari tem uma imagem de autoridade, mas temperada pela emoção, de eficácia, mas temperada pelo nacional-porreirismo, de experiência, mas temperada pela capacidade de improviso, de exigência, mas temperada pela compreensão afável, de sentido do risco, mas temperado por um realismo muito terra-a-terra. É uma espécie de tio, de parente próximo que veio do Brasil e nos trata bem nas suas rábulas familiares, embora saiba o que quer nos seus objectivos profissionais.

Ora, depois de uns séculos de vida ligada à terra e de mais uns séculos de vida ligada ao mar, chegou a fase de as novas gerações portuguesas viverem ligadas ao ar, não por via da aviação, claro está, mas porque é no ar mais poluído que trazem e utilizam a cabeça e é dele que colhem a identidade, a comprazer-se entre a irresponsabilidade e o espectáculo.

E por isso mesmo, Mourinho e Scolari são os novos heróis emblemáticos da nacionalidade, os condutores de homens que arrostam com os grandes e terríficos perigos e praticam ou organizam as grandes façanhas do peito ilustre lusitano. São eles quem faz aquilo que se gosta de ver feito, desde que não se tenha de fazê-lo pessoalmente porque dá muito trabalho. Pensam pelo país, resolvem pelo país, actuam pelo país, ganham pelo país.

Daí as explosões de regozijo, as multidões em delírio, as vivências mais profundas, insubordinadas e estridentes, as caras lambuzadas de tinta verde e vermelha dos jovens portugueses. Afinal foi só para o Carnaval que a escola os preparou. Mas não para o dia seguinte.'

Escrito por Vasco Graça Moura no Diário de Notícias

Portugal e os seus medos


Sintra

Portugal tem mesmo medo de existir, como diz José Gil no seu livro ( Relógio D'Agua Editores, 2004 ).
De tal modo que inventa situações, muda frequentemente de atitudes, leis, opiniões, receando sempre o julgamento de alguém que eu gostava de saber quem.

Por exemplo, agora os seus mandantes inventaram que quem quiser seguir medicina, engenharias ou mesmo química e física não precisa de ter estas disciplinas no 12º ano; pode optar por outras como por exemplo, geologia ou psicologia. Será que "estas mentes que brilham" sabem o que estão a fazer? Atingirão o que vai suceder? Terão dúvidas que muitos alunos, talvez a maior parte, seguirão o facilitismo e escolherão o caminho menos pedregoso, evitando aquelas disciplinas que tanta falta fazem para os cursos nomeados? Perceberão que daqui vai resultar ainda mais insucesso nas faculdades?

Os portugueses fazem leis, gostam de leis, reformulam leis, despejam leis, gostam de mostrar que pensam; ( será que julgam estar a mostrar trabalho? ); fazem assim, mesmo que daí nada resulte, mesmo que as pessoas vejam que é só papel, papel, ideias escritas em papel, mesmo que se tenha consciência que esse torpel de ideias está a ser pago por nós todos.
Esquecem-se que, depois de feitas as leis, é preciso fazê-las cumprir!

É o caso de existir uma lei que obriga os donos de cães a apanhar os seus dejectos, nas ruas, sob pena de pagarem uma multa que vai de 5 a 50 contos, creio eu... isto em moeda antiga.
Alguém já viu um polícia a passar multas por desobediência a essa lei?
Alguém já conseguiu seguir sempre em frente, no seu caminho, sem ter que se desviar de grandes ou pequenas manifestações mal-cheirosas que pululam pelos passeios, pelas relvas?
( Podem não acreditar mas eu assisti a uma manifestação de cerca de 30 donos de cão, o ano passado, a exigir o relvado do bairro para os seus filhos adoptivos canídeos! )

E que tal lembrar a nossa estrela de momento - a ministra da educação - que de tão embrenhada que anda em responsabilizar os professores pelos desaires da educação, e não só, se esquece de fazer inspecções às escolas a todos os níveis?
Eu aconselhava-a a ir ver o que os jovens andam a comer nos bares das escolas; o dinheiro dos almoços gastos nos matraquilhos, nas máquinas de sandes e coca-colas (...porque não há pessoal...), os fritos, as maioneses, a comida pré-feita, carregada de conservantes, os bolos, em detrimento das sandes, nos bares. Os seus pais pensam que os filhos estão a almoçar uma refeição completa na cantina... e parte do dinheiro que lhes dão para esse fim vai essencialmente para os matraquilhos, para as latas de refrigerantes, para embelezar a escola mesmo que eles fiquem menos bonitos... ( É bom lembrar que cada lata de coca-cola tem cerca de 4 pacotes de açúcar dissolvido )!

Já agora, porque é proibido fumar nas escolas, dentro delas, seria melhor colocar lá pessoal capaz de impedir que isso acontecesse nos intervalos... e porque não fechar os professores fumantes numa sala ( tipo sala de chuto - que está na moda) onde pudessem aspirar os sublimes fluxos ( fluidos positivos ), partículas coloidais, enormes, que favorecem a perda de capacidades cognitivas para não falar noutras sobejamente conhecidas, possibilitando , deste modo, que colegas ainda saudáveis ou já nem tanto, conseguissem seguir o seu rumo, calmamente, já tão cheio de escolhos, evitando conflitos entre eles?
Porque é que há conselhos executivos incapazes de colocarem uma porta a separá-los, os fumadores dos não, embora digam que sim, que o vão fazer, há anos?
Quais os interesses por trás disto tudo?

Porque não pôr os encarregados de educação a avaliar estas situações objectivas, observáveis, ao invés de irem avaliar professores que desconhecem completamente e dos quais apenas sabem o que os filhos, subjectivamente , lhes transmitem? Seria muito mais simples, eficaz e benéfico.

É proibido fumar nos restaurantes e bares... mas onde?

Portugal é um país que faz sorrir, pela sua ingenuidade, é um país de fingir que sabe, de fingir que faz, que receia que digam mal dele pelo que faz, pelo que apresenta, neste momento.
É um país cujos governantes e governados têm muito cuidado com o que vestem e como vão aparecer ao público;que pensam no impacto que terá a sua apresentação para obterem os fins desejados. Quase com 900 anos de história parece um adolescente desajeitado, tímido mas que pode ser igualmente agressivo.

Esquece-se que o importante é o que é, não o que parece.

quarta-feira, agosto 23, 2006

O futuro

Foto: Lúcio R. Ferrão

As amoras estavam quentes, túrgidas de vida, mas lavámo-las e comêmo-las já refrescadas. Fiquei todo roxo, da côr do vinho, sujei roupas e ri, ri muito... enquanto as manas dormiam escapei-me contigo e ajudei a encher uma grande taça para fazer doce. Piquei-me nos seus espinhos, fiquei arranhado, mas não doeu.

Abri a água da mangueira e fiz chuva como se fosse de verdade porque o ar estava seco e quente e molhei a "serafina" que fugiu como qualquer gato foge do banho.

Ouvi as râs e tive medo, medo porque fez-se noite e eu tenho medo do escuro como tu quando ouvias os mosquitos e eras pequenina.

- Avó, porque é que o Sol vai dormir todas as noites? Assim eu não posso brincar nem ver os passarinhos!

Também caí vezes sem conta a tropeçar nas pedras...

Agora tenho que voltar para casa mas hei-de regressar porque gosto muito de ti e do avô e dos primos e da bivó e deste silêncio. Porque gosto de partir tijolos com o martelo, cortar folhas, apanhar sol, correr atrás das borboletas, ouvir as vacas e ver os memés. Só tenho medo dos lacraus e das cobras! ... bem, também dos javalis...

Dois beijinhos p'ra ti e três p'ró avô.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Erwin Schrödinger - 12 de Agosto de 1887






foto Google

Eu não gosto dela e lamento alguma vez ter tido alguma coisa a ver com ela - comentário deste físico acerca da Mecânica Quântica.

A 12 de Agosto de 1887 nasceu o pai da equação de Schrödinger, em Viena de Áustria.
Nesta cidade estudou e se licenciou na Universidade de Viena, em 1910, ano da implantação da República em Portugal.

Como qualquer pessoa sentiu-se insatisfeito com o seu próprio trabalho, como qualquer um de nós às vezes se arrepende de ter seguido determinado caminho.

Só que ele recebeu o Prémio Nobel da Física, em 1933, pelo seu contributo para o desenvolvimento da Mecânica Quântica e nós nem por isso...

Aquela equação matemática descreve o comportamento do electrão, ao longo do tempo, em redor do seu núcleo atómico, e tem uma importância semelhante à 2ª Lei de Newton da Mecânica Clássica.

Faleceu em Alppach, Áustria, em 1961 ( 4 de Janeiro ) e talvez se tenha arrependido do que disse ao verificar o desenvolvimento brutal do conhecimento do mundo submicroscópico graças à Mecânica Quântica.

A minha intenção é prestar-lhe, aqui, uma singela homenagem.


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