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segunda-feira, março 26, 2007

A sorte do professor em Portugal




segundo Anterozóide

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domingo, março 25, 2007

O Portugal dos "coitadinhos"



Acabei de ver agora, num dos noticiários televisivos, a "revolta" de dois responsáveis referindo-se ao parque de campismo, situado na Caparica, inundado pelas águas salgadas do Oceano Atlântico.
Diziam eles, um homem e uma mulher, cujos nomes não fixei, pois tento ocupar o menos possível o meu "disco rígido cerebral", que sabiam de quem era a culpa de toda aquela desgraça, e nomearam pessoas, pois já se sabia que as pedras que lá deviam ter sido colocadas não eram as que foram... Entretanto, mostravam tendas, que não só não foram retiradas como continham todos os seus haveres habituais(?) incluindo bicicletas amovíveis para fazer músculo às pernas...etc, etc, a serem invadidas pelas tais águas vindas de assalto, varrendo muros de pedra e ultrapassando uma espécie de canal que entretanto terá sido escavado.

A tal senhora, exaltada, dizia que as pessoas deveriam ser indemnizadas pois não era justo o que estava a acontecer depois dos tais responsáveis terem sido avisados e nada terem feito.

Ora, eu boquiaberta, perguntava-me, ao longo do desfile de cenas de objectos pessoais molhados e a estragarem-se, se, caso tivesse ali uma tenda, para já não falar em roulotte, com os meus pertences, fossem eles quais fossem, não seria natural, há cerca de 1 mês atrás, eu ter retirado tudo, mas tudo, por mera precaução?

Será que não é uma questão de inteligência ou será que os donos daquelas tendas são todos diminuídos mentalmente, para não dizer ( vou acabar por dizer ) burros?

Não acredito que sejam todos burros. Estou tentada em acreditar que fazem parte de um grande grupo que por cá existe - o grupo dos Xicos Espertos - que sonham com uma indemnizaçãozinha, seja qual ela for, nem que só dê para ir jantar fora!

Mas, não há um jornalista que pergunte:
- E por que razão não retiraram as tendas?

Estarão à espera de um milagre o de recuo das águas quando, ano após ano, todos aqueles utentes se deram conta da subida das águas, das mudanças de correntes, enfim de todas as alterações já sobejamente noticiadas?

E já agora, quem foi o xico esperto que se lembrou de colocar areia todos os dias, que ía sendo comida pelas águas, noutra zona, lá por aquelas bandas?
Quanto ganhou com isso? Quanto todos nós, contribuintes, lhe pagámos?

E agora querem que eu desembolse mais para pagar, o que se estragou naquelas tendas, aos coitadinhos dos seus donos?

Não gozem demais com o povo pagante porque o reverso da medalha costuma ser duro de roer!

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quinta-feira, março 22, 2007

John Backus (1924-2007)

Nascido a 3 de Dezembro de 1924, John Backus foi um cientista de computação que se distinguiu pela invenção da primeira linguagem de programação de alto nível (FORTRAN), pela concepção da forma Backus-Naur (BNF em inglês, a notação universal mais usada para definir formalmente a sintaxe de uma linguagem) e o conceito de nível funcional de programação. Faleceu no sábado passado, dia 17 de Março.

Fonte:
ComputerWorld de 20 de Março de 2007

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Pensando em ti, Jessica

rivera.jpg

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quarta-feira, março 21, 2007

Imaginemos um mundo diferente

Já que estamos, mais ou menos, todos deprimidos pelas mais variadas razões, embora haja uma principal, que não nomeio para não ficarmos ainda mais perto do fundo, imaginemo-nos NUM MUNDO DIFERENTE!

Relembremos um Jonh Lennon e uma sua inspiração, daquelas que poucos têm!:




Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today...

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace...

You may say I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world...

You may say I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one

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GNR: agente ou soldado


  • Se é um soldado, o que faz na Administração Interna, porque cumpre funções civis da polícia?
  • Se é um agente, o que faz em missões internacionais?
Cresce a confusão entre a segurança interna e a defesa.(AFF)


António Costa, Ministro da Administração Interna
O facto de o Exército ter deixado de ser territorial e estar sobretudo concebido para a sua projecção internacional faz com que a única força militar capaz de assegurar a cobertura da quadrícula nacional seja a GNR.



General Valença Pinto, Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas
A instituição militar tem a inalienável e intransferível responsabilidade pela defesa militar da integridade do território nacional


Cavaco Silva, Presidente da República
O apelo à coesão das Forças Armadas é uma tarefa permanente do Presidente, na qual estarei sempre empenhado.



Declarações reproduzidas em:
Diário de Notícias de 21 de Março de 2007

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terça-feira, março 20, 2007

O Pai Lúcio


- O meu pai é alto e brinca comigo. Brinca com brinquedos.
- O pai tem óculos na cara.
- O pai dá abraços e faz cócegas.
Óscar

segunda-feira, março 19, 2007

A bela e o mestre



Imagem descaradamente roubada a João Tilly

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sábado, março 17, 2007

Em Portugal, as pessoas...


Google search:
  • 660 (exact phrase)
  • 1.400.000 (all the words)

Estamos insatisfeitos?Balbuciamos: Em Portugal, as pessoas...
Desconseguimos?Resmungamos: Em Portugal, as pessoas...
Não nos fizemos entender?Desaupilamos: Em Portugal, as pessoas...
Tropeçámos no imprevisto?Refilamos: Em Portugal, as pessoas...
Não nos preparámos com antecedência?Respingamos: Em Portugal, as pessoas...
Descartámos uma advertência?Disfarçamos: Em Portugal, as pessoas...
Não prestámos atenção?Descarregamos: Em Portugal, as pessoas...
O nosso ego está amachucado?Grunhimos: Em Portugal, as pessoas...
Facilitámos?Aliviamos: Em Portugal, as pessoas...
Não fomos explícitos?Protestamos: Em Portugal, as pessoas...
Usámos subentendidos?Vituperamos: Em Portugal, as pessoas...
Não procurámos informar-nos?Desconcertamos: Em Portugal, as pessoas...
Não nos organizámos?Acusamos: Em Portugal, as pessoas...
Confiámos na sorte?Queixamo-nos: Em Portugal, as pessoas...
Exigimos o resultado antes do esforço?Lamentamos: Em Portugal, as pessoas...
Confiámos que alguém se iria lembrar de nós?Suspiramos: Em Portugal, as pessoas...
Desvalorizámos a importância da nossa intervenção?Criticamos: Em Portugal, as pessoas...

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terça-feira, março 13, 2007

Ary dos Santos - Há que dizer-se das coisas



Há que dizer-se das coisas
o somenos que elas são.
Se for um copo é um copo
se for um cão é um cão.
Mas quando o copo se parte
e quando o cão faz ão ão?
Então o copo é um caco
e o cão não passa de um cão.


Quatro cacos são um copo
quatro latidos um cão
Mas se forem de vidraça
e logo forem janela?
Mas se forem de pirraça
e logo forem cadela?
E se o copo for rachado?
E se o cão não tiver dono?
Não é um copo é um gato
não é um cão é um chato
que nos interrompe o sono.





E se o chato não for chato
e apenas cão sem coleira?
E se o copo for de sopa?
Não é um copo é um prato
não é um cão é literato
que anda sem eira nem beira
e não ganha para a roupa.


E se o prato for de merda
E se o literato for de esquerda?
Parte-se o prato que é caco
mata-se o vate que é cão
e escrevemos então
parte prato sape gato
vai-te vate foge cão.
Assim se chamam as coisas
pelos nomes que elas são.





José Carlos Ary dos Santos,
Há que dizer-se das coisas,
encontrado em Palavras que me tocam...

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O genocídio dos funcionários públicos - Santana Castilho - Jornal: Público - 12 de Março

Atrevo-me a trancrever o que lá foi escrito por este professor por quem nutro grande respeito:

O que o Governo acaba de propor para o funcionalismo público é a continuação de um genocídio em que os professores foram os primeiros imolados. Muitos dos que aplaudiram a cruzada, sendo funcionários públicos, perceberão, quando lhes tocarem à porta, que os dividendos do egoísmo são efémeros. O que se fez aos professores vai agora ser aplicado aos restantes funcionários públicos. Concluído este segundo assalto, o sector privado ficará à mercê da lógica dos patrões: se a precaridade já é máxima no público, por que havemos de manter o que sobra de estabilidade no privado? Pela mão de Sócrates, o Ùnico, a esquerda moderna terá então feito, numa legislatura, mais do que a direita desejou, mas não fez, durante toda a Terceira República.

Os comportamentos mudam-se com incentivos, com formação, com comunicação organizacional, com chefias competentes, com gestão adequada. O grande problema dos serviços públicos não radica nos que obedecem. Está nos que mandam. Os que mandam querem convencer os indígenas de que a chave do sucesso é a avaliação do desempenho. Mas não sabem do que falam. O que produzem é tecnicamente grosseiro e com objectivos únicos: diminuir as remunerações, aumentar as horas de trabalho, despedir, vergar. Não será por aí que aumentarão a qualidade e a produtividade.

A avaliação do desempenho só serve se for um instrumento de gestão do desempenho. Os reformadores ignorantes confundem avaliação do desempenho com classificação do desempenho. Avaliar é comparar um percurso percorrido com um percurso planeado, para identificar obstáculos e formas de os superar. Supõe objectivos claramente definidos e estratégias adequadas. À boa gestão importa, sobretudo, o carácter formativo da avaliação: para identificar as dificuldades das pessoas e ajudá-las a superá-las, com formação e assistência; para apurar a ineficácia e a ineficiência dos processos e substituí-los por outros. mais adequados. Um processo credível de avaliação tem uma lógica de 360º. Envolve todos. Não deixa de fora os chefes, obviamente.

Classificar é seriar. Tão-só! Tendo aplicações e importância, não põe conhecimento onde ele não existe. Pode haver avaliação sem classificação. Mas não se deve classificar sem se avaliar. A obsessão dos nossos reformadores reside na classificação. Construiram uma fantasia com a qual julgam chegar ao fim sem abordar o inicial e o intermédio. O que têm produzido são grelhas de classificação mal feitas, a aplicar por processos e critérios que a gestão moderna há muito abandonou.

Isto não provocará mudança organizacional. Isto vai gerar, por parte dos funcionários visados, o que a literatura da especialidade denomina por retaliação organizacional. Ou seja, oposição dissimulada e desmotivação generalizada, a última coisa de que necessitamos para melhorar os serviços. Quando tal acontece, é evidente que a culpa não reside nos funcionários, mas nos chefes e nos processos e sistemas que impõem. Sobre o essencial para reformar a função pública, continuará a pairar o silêncio do Olimpo.Quanto a avaliação do desempenho, pura e simplesmente não exixte. Apenas bolsa da pesporrência retórica e oca dos novos justiceiros.

O que se conhece da grelha proposta para classificar os professores que concorrerão ao topo da carreira é paradigma do que acabo de afirmar. Está lá tudo: o atropelo grosseiro à lei; a evidência de que legislam por impulso, sem coerência nem norte (começaram por achar que 120 pontos eram o mínimo e já baixaram para 95); o primado do administrativo sobre o pedagógico (menosprezo escandaloso da docência e do conhecimento, que chega ao ridículo de valorar ou não um doutoramento em função do dia em que foi feito).
É a burocracia posta num altar, que nenhum Simplex disfarça.

Eu subscrevo inteiramente o que Santana Castilho publicou.

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segunda-feira, março 12, 2007

O que é a palavra "homem"?




Estão registados exemplos de línguas vivas de comunidades primitivas em que árvores da mesma espécie são chamadas por nomes diferentes, dependendo da localização relativamente à aldeia e da utilidade que os habitantes encontraram para elas.

Mas o que é a palavra "homem"?

  • Gramática:
    Substantivo comum concreto.
    É um substantivo porque designa um ser, algo que existe. Mas "duende" também é um substantivo e aquilo a que duende se refere só tem existência na imaginação. O mundo real e o mundo virtual confundem-se na Gramática.
    É comum porque não tem poder designatório suficiente para individualizar, senão seria um substantivo próprio. É concreto porque não se refere a uma acção, qualidade ou estado; doutro modo seria um substantivo abstracto.

  • Filosofia:
    Abstracção de: Pedro, Francisco, Alberto, Joaquim...
    Repare-se desde logo que os substantivos comuns, mesmo "concretos" na classificação gramatical, são abstracções das suas instâncias ou materializações particulares. Dir-se-ía que constituem o primeiro nível de abstracção do real. Quando, entre dois substantivos comuns encontramos semelhanças, por exemplo entre uma pedra branca e uma flor branca, criamos abstracções de segunda ordem - o branco, uma qualidade - que a Gramática já reconhece como abstracção ou substantivo abstracto. A Gramática dedica uma importância diminuta aos níveis da abstracção. Em contrapartida, a posição, a velocidade e a aceleração aparecem com as respectivas constelações de termos associados em três níveis claramente diferenciados na Física.

  • Lógica:
    Termo variável.
    É um termo porque designa: é um termo variável porque designa indistintamente um de entre uma multiplicidade de objectos possíveis, estando destituído de poder identificador completo dos objectos. Os termos variáveis identificam parcialmente, ficam a meio caminho. Um objecto referido por um termo variável é sempre um entre vários possíveis, um num conjunto.
    A Lógica qualifica como variável o que a gramática qualifica como comum. Haverá alguma possibilidade de acordo na classificação entre os gramáticos e os lógicos, que facilite a vida aos pedagogos e demais divulgadores? Creio que não, os especialistas tendem a construir as suas teorias mais preocupados com a consistência interna que com a universalidade do conhecimento. Desta maneira, o mundo singular dá origem a tantas mundividências quantas as escolas interpretativas. O preço desta falha de uniformização é o acréscimo desnecessário de dificuldade na aprendizagem, tornando-se díspar e confuso o que haveria de ser uno e claro. Terão que ser os pedagogos a impor um dia a sua lei, quando tiverem força para tanto.
    Os termos variáveis, por serem incompletos no seu poder de identificação dos objectos, adquirem um poder diferente: o da significação. Os substantivos próprios, que os lógicos chamam de constantes - como os antropónimos e os topónimos - porque referem objectos individuais, estão desprovidos de significado.

  • Matemática:
    Elemento genérico do conjunto Humanidade.
    Os matemáticos preferem pôr em evidência o carácter ambivalente dos termos como "homem". Subentendem imediatamente um conjunto, mas referem apenas um dos seus elementos. É como se tivessem a pretensão de viver simultâneamente nos dois mundos: o dos objectos e o das colecções de objectos. O conjunto de todos os seres que podem ser referidos pelo elemento genérico é a extensão do termo (ou conceito). O conjunto de todas as relações que podemos estabelecer com os objectos - ou propriedades que podemos encontrar nos objectos - (abstracções de nível superior) comunmente referenciados é a sua intensão. Quanto mais rico em propriedades, menos extenso tende a ser o conjunto dos objectos referidos e vice-versa: é a consagrada lei da relação inversa entre a extensão e a intensão dos conceitos. Se o número de propriedades ou atributos do conceito for exagerado, pode eventualmente descobrir-se que, de todos os elementos inicialmente possíveis, resta apenas uma hipótese. Esta operação é muito vulgar nos problemas de matemática. Mas a ruptura da multiplicidade da referência por esta via, que permitiu seleccionar atributivamente um único elemento, isto é, individualizá-lo no conjunto, ou particularizá-lo até ao nível de uma constante, não constitui prova de que as constantes possuam algum significado. A solução encontrada é novamente um conjunto, apenas um conjunto singular. As constantes, ou elemmentos individuais, não possuem as propriedades operatórias dos conjuntos, que foram estudadas inicialmente pela Filosofia, mais tarde pela Lógica, finalmente integradas na Álgebra e que hoje são tão instrumentais como os circuitos bi-estáveis dos computadores.

  • TLEBS:
    Na classificação das palavras já há campo suficiente para avançar no sentido da simplificação em nome da eficácia pedagógica. A viva controvérsia gerada à volta da TLEBS, mesmo entre literários e linguistas profissionais, parece indiciar que se fez um esforço para desenvolver novas fragmentações, não para construir de forma racional um quadro mais amplo e unificado do conhecimento, que exigiría uma convergência de esforços para além dos linguistas.

Como testemunham os registos de línguas primitivas, as variáveis ou termos abstractos não apareceram na linguagem logo no início.
Os homens têm nomes próprios e, além disso, o conjunto dos homens (uma abstracção), também tem um nome. Mas nem sempre a linguagem oferece este quadro completo. Podem os elementos não ter nomes próprios que os individualizem na nossa linguagem (os carapaus que são apanhados pela rede dos pescadores), ou o conjunto implícito no substantivo comum concreto - por exemplo, "berlinde" - não ter um nome específico. Esta é uma das muitas ciladas que a introdução da abstracção trouxe para a linguagem corrente. Pode levar-nos a esquecer que há sempre um conjunto associado a cada substantivo comum concreto-abstracção-variável-elemento genérico. Se, por exemplo, perguntarmos cruamente a um aluno do secundário o que ele entende por variável - um conceito fundamental - teremos, muito provavelmente, a oportunidade de observar o efeito do acréscimo desnecessário de dificuldades. No pior dos casos, essas dificuldades subsistem em pessoas com formação completa.
Vimos aqui que, de "Pedro" para "homem" foi necessário dar um salto na abstracção. Se quiséssemos tratar um conceito mais elaborado, como o de número, teríamos que dar mais alguns saltos. Uma das maiores virtualidades da linguagem é o seu carácter recursivo, que permite construir andares sobre andares. Por vezes, a mesma palavra reaparece num andar muito superior. Foi isto que aconteceu com a palavra "planta", originária de um étimo que significava "pequeno galho". Ora planta é das palavras mais abstractas que se pode imaginar. Quantos andares foi necessário levantar?
Um espectro de classificação das palavras mais aberto a ajustado aos primeiros três ou quatro níveis de abstracção do real, sería uma boa notícia.

Um relaxamento da longa tradição de compartimentação dos conhecimentos parcelares, de forma a começar a esboçar-se a sua unidade, traduzida em aproximação das terminologias de base das meta-linguagens, sería notícia ainda melhor. Assim como estamos, fazemos - a uma escala diferente - o papel das comunidades primitivas: damos nomes diferentes a coisas idênticas, porque não descobrimos que a localização face à aldeia não é determinante absoluto de uma utilidade.

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quinta-feira, março 08, 2007

Porque







Sophia de Mello Breyner Andersen in
No Tempo Dividido e Mar Novo
Edições Salamandra, 1985, p. 79

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quarta-feira, março 07, 2007

Heinrich Wohlmeyer - o mundo em que vivemos



...Se não fecharmos os olhos, descobrimos os sinais da tempestade. Sucedem-se as terapias dos sintomas, mas não se atacam as causas. Como exemplo, as reacções ao último inquérito PISA relativo à qualidade do ensino: a psicóloga Chrisla Meves já previa, há 25 anos, numa conferência dada em Österreichische Industriellenvereinigung, que a destruição da família protectora e o enfraquecimento da cultura dos valores da vida comunitária daria lugar a indivíduos insatisfeitos, incapazes de concentração, de perseverança e inadaptados para os constrangimentos da vida conjugal. Tais indivíduos tornar-se-iam um fardo e trariam a ruptura do contrato social. A isto, acrescem os regulamentos económicos, cuja alteração já era também considerada necessária nas décadas de 1970 e 1980 (reforma fiscal, por exemplo), mas que não foram tocados, por egoismos privados, lassidão, lealdades não declaradas ou simples ignorância (ou ainda tudo à mistura). A corrida - organizada de maneira «efficaz» - para a autodestuição individual e mundial prossegue à vista desarmada.

Mundialização dos mercados financeiros

Toda a terapia supõe um diagnóstico lúcido. Eis porque iremos debruçar-nos brevemente sobre as grandes tendências que se podem detectar.

O primeiro domínio mundializado, motor de toda a mundialização, é o dos mercados financeiros. As finanças lutaram para alcançar a liberalização mundial e, com a ajuda da electrónica e da informática (redes mundiais), tranformarem-se na primeira forma de mundialização verdadeira. Isto não conduziu apenas à acumulações transnacionais de dinheiro, mas também a pressões enormes sobre a economia real. Com os juros acumulados, os capitais aumentam de forma sustentada; volumes de capitais cada vez maiores absorveram investimentos cada vez mais significativos (sem contemplações pelas situações sociais e ecológicas locais), mas são atraídos tambem pelo mercado monetário, em especial os mercados derivados que estão desligados da economia real. Esta tendência não satisfaz o conceito de tecnologia adequada nem o de descentralização, logo, contraria o princípio da adaptação.

A maior parte das instituições financeiras nacionais carecem de dimensão para disputarem nesse terreno. Então, estabelecem parcerias com os «global players» ou deixam-se absorver por eles. Em ambos os casos há alienação, pois os que decidem são desprovidos de lealdade nacional ou sentido de responsabilidade ecológica, social ou económica local. Isto é confirmado pelo facto de o volume comercial representar aproximadamente o dobro do valor dos bens produzidos e as transferências financeiras representarem quinze vezes esse valor. Este comércio hipertrofiado ilustra a medida em que as finanças globais se desprenderam da economia real.[...]

Aumenta a clivagem social

A distância entre os países mais pobres e os países mais ricos, tomando como medida o produto nacional bruto, aumentou ao longo das três últimas décadas, tendo passado da razão de 1 para 30 para a razão de 1 para 60. Dentro dos estados, também se alargou de forma contínua o fosso entre os mais ricos e os mais pobres. Isto deve-se, em parte, à dinâmica dos capitais - devida à acumulação de juros e às vantagens fiscais - mas principalmente ao facto de os rendimentos dos salários não acompanharem os aumentos de produtividade. O conhecido desígnio do capitalismo renano (Ludwig Erhard 1897-1977), pelo qual os progressos da produtividade deviam beneficiar a população, aumentando o seu poder de compra, caducou.[...]

Problemas orçamentais do estado e das organizações internacionais

A dinâmica que poupa aos ricos o peso dos impostos e impõe ao resto da população a redução dos rendimentos, especialmente devido ao desemprego, resulta na redução das receitas do estado. Com os orçamentos nacionais deprimidos, as contribuições dos estados para as organizações internacionais também sofre. A margem de manobra para investimentos sociais fica reduzida.

Perda contínua da legitimidade dos políticos nacionais

As tendências acima apontadas também conduzem à instablidade política, porque a maior parte dos cidadãos atribui a responsabilidade pela deterioração da sua situação aos eleitos locais, ainda que a acção destes políticos seja limitada por constrangimentos materiais da economia global que não está na sua mão alterar. Os descontentes tendem a engrossar as fileiras dos movimentos extremistas, que prometem transformações radicais. Emergem então fenómenos que lembram os anos 1930.

Para além das tendências referidas, que interagem mutuamente, é necessário considerar outros factores.

Hipermobilidade geográfica

A concepção neoliberal em voga exige mobilidade total da mão-de-obra. A sua velocidade de adaptação deve seguir a vertigem dos movimentos de capitais, o que leva à erosão social, pelo que representa de dissolução dos laços de solidariedade locais que só são possíveis com um mínimo de estabilidade. Sofrem os processos de socialização das crianças e o dos adolescentes, cujo desenvolvimento requer um espaço delimitado onde possam experimentar os seus comportamentos sociais.

Mas este requisito de mobilidade profissional excessiva conduz, antes do mais, à substituição do sentimento profundo de segurança pelo de medo, assumindo um carácter pandémico. Nos anos do pós-guerra na Europa, a política económica foi o oposto desta: em favor do desenvolvimento regional, com acesso criterioso aos meios financeiros e colocação à disposição de infra-estruturas que facilitassem o desenvolvimento de postos de trabalho para todos. Foi uma política consciente de descentralização, resultante do conhecimento de que a reconstrução, após o colapso das relações interregionais, só podería efectuar-se pela revitalização da vida comunitária na base da auto-organização.

Hipermobilidade profissional

Bem cedo, Hans Zeier alertou para o ritmo de adaptação intrínseco ao homem. O sobre-esforço pode conduzir a uma grave instabilidade psicológica, susceptível de empurrar os indivíduas para refúgios em mundos virtuais. Ao sobre-esforço provocado pela adaptação desregrada, junta-se o medo de perder o emprego e a impossibilidade de prever a sua situação social assim como a sua situação económica no momento da velhice.

A resposta a estes medos é, frequentemente, a fuga para a falsa segurança oferecida pelo nacionalismos fundamentalistas e pelas seitas religiosas. Em casos extremos, isto pode conduzir ao aparecimento de «associações mutualistas» paralelas às do estado. Os custos sociais elevados associados a estas escapatórias não são tidos geralmente em consideração.[...]

Estratégias de dominação desestabilizantes dos Estados Unidos da América (EUA)

Ao fazermos o exame dos duzentos anos de história dos EUA, observamos que, excepção feita à guerra pela independência, todas as outras foram guerras de conquista ou guerras de «recuperação de fundos». Entre as guerras de conquista estão o extremínio dos índios, a do controlo do canal do Panamá e a do Novo México. A guerra de «recuperação de fundos» mais séria foi a Primeira Guerra Mundial. Como W. F. Engdahl mostrou no seu livro A Century of War: Anglo-American Oil Politics and the New World Order, já na primeira guerra mundial a qustão foi o petróleo. Com o caminho-de-ferro de Bagdad, os alemães tinham ganho o acesso às jazidas de petróleo recém-descobertas de Mossul e KirKuk contornando o canal de Suez. A Inglaterra inquietou-se logo que os engenheiros alemães conseguiram passar as montanhas da Anatólia e diante dles se estendeu a planície da Mesopotâmia.


Excertos traduzidos da versão em francês de:
Heinrich Wolhlmeyer, "Globales Schafe Scheren. Gegen die Politik das Niedergangs"
publicado por Horizons et débats em 2 de Março de 2007

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segunda-feira, março 05, 2007

Neoliberalismo e linguagem

Recorrência das palavras

...Cada forma particular de linguagem é caracterizada pela frequência do uso de constelações de palavras...
A linguagem neoliberal, mesmo quando se refere à Educação, é dominada pelos termos do mercado. Os autores contaram o número de vezes que determinadas palavras-chave ocorreram no Relatório da OCDE "Review of National Policies for Education: Review of Higher Education in Ireland" (OECD, Dublin 2003):


investigação293
estudante179
aprendizagem48
I&D42
competitivo27
mudança23
ensino21
mercado20
estudo18
organização16
indústria15
negócio13
gerente9
competição5
professor2
assistente2
intelectual2
biblioteca1
estudo individual0
literatura0

Confusão de conceitos

Significativamente, as palavras mais usadas são investigação e I&D e, apesar das suas conotações totalmente distintas, são usadas intermutavelmente. Por exemplo:

...[Um] número de medidas tem que ser tomadas para criar uma cultura de investigação sustentada que proporcionará a quantidade de recursos necessários para atrair empresas internacionais em número muito maior que actualmente, dispostas a investir em I&D na Irlanda e sustentar a indústria indígena...

Repetidamente, ao longo do documento, o deslize entre os dois termos embacia, de tal modo que a referência a um dos termos se transforma na referência ao outro. Uma frase do relatório diz:

...A Irlanda necessitará de traduzir os seus investimentos em áreas de nicho de desenvolvimento nas universidades numa cultura alargada&aprofundada (broadeR&Deeper) de investigação antes que uma ou mais dessas universidades se possa classificar como universidade de investigação de 'nível mundial'.

A identificação entre investigação desinteressada empreendida por um académico ou um grupo de académicos e as actividades de I&D das corporações destinadas ao mercado são amalgamadas, o que revela a medida em que o pensamento dos autores é orientado para a indústria e para o mercado.

Excerto traduzido de:
The Interconnections between Neo-liberalism and English
Marnie Holborow, 29 de Maio de 2006

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sexta-feira, março 02, 2007

Luis Amado, o cobarde

Luis Amado, Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal
...Os sete voos de aviões militares norte-americanos de/para Guantánamo passando por Portugal efectuaram-se sob a égide da NATO e da ONU.

Jaap de Joop Scheffer, Secretário-geral da NATO
Os únicos voos actualmente tripulados e operados pela NATO são os da nossa esquadra AWACS. Estes aviões não voam nem voaram para a baía de Guantánamo. A NATO, como organização, não tem nenhum papel de coordenação em providenciar autorizações para outros voos.



Fonte:
Diário de Notícias de 28 de Fevereiro de 2007

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quinta-feira, março 01, 2007

Watada - responsabilidade militar

O jovem Tenente Ehren Watada, da Armada dos Estados Unidos da América, foi presente a tribunal no dia 5 de Fevereiro, por se ter recusado a embarcar para o Iraque. O que se segue são excertos de uma exposição na Unitarian Church of Tacoma. (AF)
Estou aqui hoje por uma razão: encorajar cada um de vós a imaginar a possibilidade de mudança no nosso país e como poderão ser parte dessa mudança - se assim o optarem.

...


Umas forças armadas poderosas, que não tenham a oportunidade de questionar e de discordar, são uma ameaça para a sociedade democrática.

...


Como oficial das forças armadas, jurei proteger este país de todas as ameaças a qualquer preço. Não jurei fidelidade ao Comandante-em-Chefe, mas à Constituição. Não estou à disposição do Presidente, mas ao serviço do povo.

...


Há muitos que pensam que, se cada soldado decidir por si próprio se uma determinada guerra é ilegal ou imoral, isso conduzirá à degradação das nossas forças armadas. Isto será talvez verdade, e esta é a razão porque cada conflito em que o nosso país se envolva deve ser totalmente apoiado pelas pessoas, a necessidade dos sacrifícios deve ser clara e transparente e as decisões dos que detêm o comando devem ser convincentes; não podemos permitir que os nossos combatentes sejam colocados numa posição de moralidade ou legalidade duvidosa.

...


Não sou contra a guerra. Há muitas pessoas na nossa sociedade que são contra todas as formas de guerra, e eu respeito as suas convicções. Contudo, uma guerra contra uma agressão é bem diferente de desencadear uma guerra de agressão e por interesses corporativos. Não sou agitador ou radical, No princípio, só afirmei que não podia ser parte de algo profundamente ilegal e imoral e solicitei respeitosamente que fosse afastado disso.


Texto completo em:
Ehren Watada - Speech Presented at the Unitarian Church of Tacoma
feito em 9 de Janeiro de 2007

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