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quinta-feira, julho 31, 2008

Boas férias

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Este blog descansará provavelmente por uns tempos. Nascido do desejo de desintoxicar da informação comercial, o Ferrao.org tem-se caracterizado mais pelas traduções de artigos que por contribuições próprias. Que fazer? Não podemos ser especialistas em todos os domínios, mas todos os domínios nos encantam. Se há quem fale melhor sobre Direito Internacional, Economia, Informática, Engenharia, Linguística, Música, etc, porque não aproveitar?
Este mês perfizemos as 600.000 hits. Certamente não mereceríamos, pelo pouco esforço investido. Aqueles dos nossos leitores que porventura se interessem por estes factos, devem saber que os motores de busca apresentam primeiro os resultados onde as palavras-chave aparecem em título. Esta é uma parte importante dos artigos, a resguardar de tentações figurativas ou irónicas. Talvez isso explique tantos hits.

Nos últimos trinta dias, foi a seguinte a distribuição geográfica das nossas visitas:
Paises visitantes do Ferrao.org
Apraz-nos especialmente saber que os paises onde se fala português estão bem representados na amostra.


Nos mesmos trinta dias, entre as visitas que chegam de outros blogs, a distribuição foi a seguinte:
A educação do meu umbigo 157
A sinistra ministra76
Problemas|teoremas50
Espuma da mente42
Sala dos professores 26
Catarse 18
Fliscorno16
Do Portugal profundo13
Anovis Anophelis 12
CyberCultura e Democracia Online5
visitas estas que muitos nos honram, naturalmente.

Os que chegaram a nós por via das pesquisas na Internet procuraram o seguinte:
nomes proprios, lista de nomes, nomes próprios, lista nomes, lista de nomes proprios, lista nomes proprios 936
receitas de pão, maquina de fazer pão, máquina de fazer pão, maquina de fazer pao, maquinas de fazer pão, maquina fazer pao, receitas para máquina de pão, fazer pão,
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768
ramiro marques92
tabuada de dividir85
medina carreira66
imagens fantasticas63
a importancia de um orquestra na educação 54
resultados dos exames nacionais31
imagens escondidas 30
carlos vieira dias 28


Os artigos sobre o pão e a onomástica do preguiçoso Lúcio continuam a dar cartas.
Receitas para máquinas de fazer pão3.500
ferrao.org - onomástica portuguesa1.580
Ramiro Marques - Avaliação de professores252
Imagens Fantásticas222
Escola Secundária D. Maria II, Braga - Avaliação dos professores203
Mário Rodrigues - Fraude na Educação195
Viagem a Paris193
Dividir sem usar a tabuada...164
O Sol que nos dá Vida154
Índia: sem comentários151


Obrigado pela visita e votos de boas férias.

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terça-feira, julho 29, 2008

Marjorie Cohn - Fim à ocupação do Iraque e do Afeganistão

Marjorie Cohn é Presidente do National Lawyers Guild e professora na Escola Thomas Jefferson de Direito. É autora do Cowboy Republic. Os seus artigos estão arquivados em marjorie cohn.

Marjorie CohnPor enquanto, o plano do Sr Bush para perpetuar a presença militar dos EUA no Iraque encontrou a resistência do governo iraquiano. O calendário de retirada das tropas americanas de Barck Obama foi naturalmente ao encontro dos desejos do Primeiro Ministro Nuri al-Malaki, e Bush mencionou um "horizonte temporal" enquanto McCain foi tagarelando. Porém, Barack Obama é a favor da permanência por tempo indeterminado de 35.000 a 80.000 soldados de ocupação dos EUA com o propósito de treinar forças de segurança e empreender "acções de contra-insureccção". Isto não poria fim à ocupação. Devemos exigir o repatriamento das tropas dos EUA - não a sua renovação - ou seja, o regresso de todos os soldados e mercenários, o encerramento de todas as bases militares dos EUA e renunciar a todos os esforços para controlar o petróleo iraquiano.

Dado o aumento da violência no Afeganistão e por razões políticas - anunciadas por Obama - Bush decidiu deslocar tropas do Iraque para o Afeganistão. Se bem que a invasão do Afeganistão pelos EUA seja tão ilegal como a invasão do Iraque, muitos americanos encaram-na como uma resposta justa face aos ataques do 11 de Setembro de 2001, com perdas de vida em combate menores que as do Iraque - por enquanto. Quase ninguém nos EUA questiona actualmente a legalidade ou o direito do envolvimento militar no Afeganistão. A capa da revista Time chamava-a "A Guerra Correcta".

A Carta das Nações Unidas indica que todos os estados membros devem resolver as suas disputas internacionais por meios pacíficos, não sendo reconhecido a qualquer nação o direito ao uso da força a não ser em caso de auto-defesa ou quando autorizado pelo Conselho de Segurança. Após os ataques do 11 de Setembro, o Conselho de Segurança aprovou duas resoluções, nenhuma das quais concedia autorização para usar a força militar no Afeganistão. As Resoluções 1368 e 1373 condenavam os ataques do 11 de Setembro e ordenavam o confisco dos bens; a criminalização das actividades terroristas; a prevenção da constituição ou apoio a ataques terroristas; a tomada de medidas necessárias para evitar a formação de grupos terroristas, incluindo a partilha de informações; finalmente, a ratificação urgente de convénios internacionais contra o terrorismo (que os EUA não ratificaram).

A invasão do Afeganistão não foi um acto de legítima defesa ao abrigo do artigo 51 da Carta das Nações Unidas, porque os ataques de 11 de Setembro foram um acto criminoso, não uma invasão armada desencadeada por outro país. O Afeganistão não atacou os Estados Unidos da América. De facto, 15 dos 19 sequestradores de aviões vieram da Arábia Saudita. Além disso, não estava iminente uma ameaça de um ataque armado aos Estados Unidos nos dias subsequentes ao 11 de Setembro, ou Bush não teria esperado três semanas para iniciar a campanha de bombardeamentos, em Outubro de 2001. A necessidade de auto-defesa deve ser "imediata, irrecusável, não dando hipóteses de escolha de meios no momento da decisão". Este princípio clássico da auto-defesa consagrado na lei internacional foi definido no tribunal de Nuremberga e reafirmado pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

A justificação de Bush para atacar o Afeganistão foi a de que hospedava Osama ben Laden e que treinava terroristas. Os iranianos poderiam usar o mesmo argumento para atacar os EUA quando derrubaram o corrupto chá Reza Palevi em 1979, a quem os EUA ofereceram custódia. Os povos dos paises da América Latina, cujos ditadores foram treinados em técnicas de tortura na School of Americas, também podiam atacar esta infra-estutura situada em Fort Bennings, na Georgia, com os mesmos fundamentos.

Aqueles que conspiraram para sequestrar aviões e mataram milhares de pessoas em 11 de Setembro são culpados de crimes contra a humanidade. Devem ser identificados e levados à justiça de acordo com a lei. Mas a retaliação invadindo o Afeganistão não é a resposta e só conduzirá a mais mortes das nossas tropas e de afegãos.

O ódio que motivou 19 pessoas a fazerem-se explodir e levarem consigo 3000 inocentes tem a sua génese na história de exploração de pessoas das nações ricas em petróleo, empreendida pelos governos dos EUA em todo o mundo. Bush acusou os terroristas de tomarem como alvo as nossas liberdades e a democracia. Não foi, porém, a estátua da Liberdade que foi destruida. Foi o World Trade Center - símbolo do sistema económico mundial dirigido pelos EUA e o Pentágono - o coração do aparelho militar - que foram atingidos. Aqueles que cometeram esses odiosos crimes estavam a atacar a política externa americana. Esta política resultou na morte de dois milhões de iraquianos - causadas, quer pelas sanções punitivas de Clinton, quer pela guerra de Bush. Do que resultou um apoio acrítico à brutal ocupação das terras palestinas por Isreal; e o estacionamento de mais de 700 mil soldados dos EUA em bases de países estrangeiros.

Manifestamente ausente do discurso nacional está a análise política das razões conducentes à tragédia do 11 de Setembro e a orientação geral para escrutinar a política externa dos EUA que nos afastasse da cólera daqueles que desprezam o imperialismo americano. A "Guerra ao Terror" foi acriticamente aceite por quase todo o país. Mas terrorismo é uma tática, não um inimigo. Não se pode declarar guerra a uma táctica. A maneira de combater o terrorismo é isolando e atingindo as suas raízes, incluindo a pobreza, o não acesso às escolas e a ocupação estrangeira.

Já existem 60.000 tropas estrangeiras, incluindo 36.000 americanas, no Afeganistão. O grande aumento de tropas dos EUA no último ano não conseguiu estabilizar a situação; em vez disso, em Julho de 2008, os ataques aumentaram 40%. Zbigniew Brzezinski, consultor para a segurança nacional ao tempo de Jimmy Carter, duvida que a resposta para o Afeganistão resida em mais tropas. Adverte que os EUA podem ser considerados, como antes foi a União Soviética, como um invasor, especialmente se forem realizadas operações militares "com pouca consideração pelas baixas civis".
Brzezinski apoia a abordagem europeia de subsidiar os agricultores afegãos que abdiquem da cultura da papoila da ópio, assim como apoiar financeiramente os chefes tribais, como forma de isolar al-Quaeda dos talibãs. Estes últimos "não constituem uma força centralizada, nem são um movimento terrorista mundialmente orfanizado, apenas um fenómeno genuinamente afegão".

Devemos prestar atenção ao Canadá, que defende que uma missão mais ampla, sob a égide das Nações Unidas em vez da NATO, seria mais eficaz. A nossa política no Afeganistão e no Paquistão deveria focar-se na assistência económica para a reconstrução, no desenvolvimento e na educação, não nas armas. Os EUA deveriam refrear-se de mais ataques predatórios de mísseis ao Paquistão e prosseguir numa via diplomática, não na ocupação bélica.

Tampouco deveríamos fazer ameaças de guerra ao Irão, que seria novamente ilegal e originaria novos desastres descontrolados. A Carta das Nações Unidas proibe qualquer país de usar, ou de ameaçar usar, a força militar contra outro país, excepto em auto-defesa ou quando o Conselho de Segurança declare o seu acordo. Apesar da Agência Internacional para a Energia Atómica, um organismo das Nações Unidas, concluir que não existem provas de que o Irão esteja a desenvolver armas nucleares, a Casa Branca, o Congresso e Israel continuam a brandir as espadas na direcção do Irão. No entanto, o movimento contra a guerra tem conseguido barrar o caminho à Resolução 362 da Casa dos Representantes, uma decisão que equivaleria a uma ordem de bloqueio naval contra o Irão - pela lei internacional considerado como um acto de guerra. Graças a movimentos como United for Peace and Justice, Code Pink, Peace Action e dúzias de outros, que pressionaram o Congresso a meditar duas vezes antes de dar esse passo.

Deveremos enveredar pela diplomacia, não pela guerra, com o Irão; acabar com a ocupação do Iraque; e repatriar as nossas tropas do Afeganistão.

Marjorie Cohn, Of Iraq and Afghanistan - End the Occupations
publicado por Counterpunch em 29 de Julho de 2008

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A cobardia de Maria de Lurdes Rodrigues

Maria de Lurdes RodriguesApodada de corajosa por muitos comentadores encartados, Maria de Lurdes Rodrigues não hesitou a ameaçar cortar o sustento a um jovem professor de matemática, politicamente inexperiente, quando este a acusou em primeira mão, frontalmente e em público de facilitista.
A acusação de facilitismo foi depois retomada por um outro professor, desta vez universitário e presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática. Porque é uma pessoa educada, Nuno Crato não chamou criminosa à ministra. Só não o fez, porém,
a la lettre, pois a definição do crime está lá, completa.
Aguardei uma reacção corajosa da ministra: um processo por difamação para repor o seu bom nome, qualquer coisa. Em vão. A tão apregoada coragem da ministra só se manifesta quando a relação de superioridade na cadeia hierárquica é esmagadora e lhe está de feição. Mas que belo exemplo.
(AF)

[O Ministério] Na Educação pode ter um papel positivo se fizer aquele pouquinho que é traçar objectivos exigentes, fazer os programas mínimos exigentes - claros, precisos, curtos mas exigentes - e promover a existência de sistemas de controlo da avaliação dos conhecimentos dos alunos também exigentes. Mas nada disto está a ser feito, estamos a perder uma oportunidade imensa. O caso recente dos exames fáceis de Matemática enquadra-se nisto. Daqui a dez anos, somos capazes de olhar para o que se passou nos exames este ano e pensar que foi das coisas mais negativas que aconteceram na Educação nas últimas décadas.
...
Porque o que foi dito aos jovens este ano foi que não vale a pena estudar mais que os mínimos. Foi dito aos melhores que não vale a pena trabalharem muito porque não vão destacar-se. À partida, a melhoria dos melhores permite a melhoria de toda a gente. O que se vai passar agora no nosso País, se se mantiver este tipo de avaliação, é que os estudantes vão reagir contra os professores que são mais exigentes dizendo que "não vale a pena, pois eu já percebi que, para passar de ano bastam-me os mínimos". Isso pode ser extremamente perigoso para o nosso País. Se isso se mantém assim é altamente preocupante, por tudo o que vem a seguir.
...
O que vem a seguir a estes exames é que as pessoas vão partir do princípio que é sempre assim e portanto os do Ensino Básico vão entrar no Secundário convencidos que é sempre assim; os do Secundário vão entrar na Universidade convencidos que é sempre assim; e o País vai ficar com a ideia de que afinal isto é tudo muito fácil, que a Matemática, as Ciências, afinal é tudo muito fácil, não é preciso estudar muito. Até depois o País não produzir. O que acontece depois é que não temos técnicos para produzir, para dirigir empresas, para criar software, etc. O que se passou foi gravíssimo e espero que o Governo arrepie caminho. Mas é difícil. O Governo enfiou-se nisto, defendeu estes resultados, se agora for fazer exames mais exigentes os resultados vão baixar e nenhum Governo quer baixar resultados em ano de eleições.


Nuno Crato, entrevistado pelo Jornal de Negócios
publicado a 25 de Julho de 2005

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Foi assim em... Pombal

domingo, julho 27, 2008

Deutsche Welle - Nokia fecha fábrica

A maior fabricante mundial de telefones móveis, a Nokia, irá indeminizar o Estado alemão em 1,3 milhões de euros por encerrar uma fábrica.

A Nokia pagará esta soma acrescida de juros ao Estado do Reno-Vestfália do Norte após ter anunciado no princípio do ano que iria encerrar a sua última fábrica na Alemanha, em Bochum, uma cidade da região industrial do vale do Rur que tem vivido tempos difíceis.

O diferendo já custou ao gigante móvel dezenas de milhões, segundo declarou um funcionário no sábado.

De acordo com o semanário económico WirtschaftsWoche, o ministério da investigação contribuiu com quatro milhões de euros para o financiamento da fábrica de Bochum, que se encontra no coração da região industrial do Rur.

Os frutos da investigação da Nokia deveriam reverter em proveito da Alemanha, porém, isso não acontecerá após o fabricante finlandês encerrar a fábrica de Bochum, disse o ministro.

Deutsche Welle staff (jam), Nokia to Reimburse German State in Plant Closing Row,
Deutsche Welle, 27 de Julho de 2008

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Os novos aerogeradores

Cinco megawatts cada, com pás do hélice de cinquenta metros, a entrar brevemente em serviço no Mar do Norte...
Aerogerador

Aerogerador


Anselm Waldermann, OFFSHORE WIND FARMS
A Green Revolution off Germany's Coast

Der Spiegel, 24 de Julho de 2008

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sexta-feira, julho 25, 2008

Limpeza étnica

É preciso dizer a verdade, ouvi-la e reproduzi-la. Mário Crespo fala objectivamente do problema colocado por um grupo de pessoas de etnia cigana.
Basta de paternalismo e vejamos, com olhos de ver, quem se auto-exclui. (M.R.)
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Limpeza étnica
2008-07-21
MÁRIO CRESPO, jornalista, in Jornal de Notícias

O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. "Perdi tudo!" "O que é que perdeu?" perguntou-lhe um repórter.
"Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem..." Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos autodesalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga "quatro ou cinco euros de renda mensal" pelas habitações camarárias. Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que "até a TV e a playstation das crianças" lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam "quatro ou cinco Euros de renda" à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a "quatro ou cinco euros mensais" lhes sejam dados em zonas "onde não haja pretos". Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - "ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos." A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e autodenominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.

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quinta-feira, julho 24, 2008

Anna Netrebko e Rolando Villazon - O soave fanciulla

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quarta-feira, julho 23, 2008

Carlos Ceia - A decadência do Português no ensino

Carlos CeiaDecadência e falência não são palavras em que me reveja, mas a actual situação do ensino em Portugal obriga a um alerta contra um conjunto de sinais que trazem preocupados todos aqueles que diariamente vivem dentro do sistema educativo. Quem está fora dele sente hoje uma grande desconfiança sobre qualquer crítica que se aponte às actuais políticas educativas, precisamente porque os assusta que possamos estar tão próximos do abismo.

A denúncia que a seguir descrevo não é gratuita: em devido tempo, enviei para o Ministério da Educação pareceres construtivos sobre todas estas matérias, que nunca obtiveram resposta, a exemplo de todos os outros pareceres que conheço e que foram igualmente ignorados; escrevi ainda um livro sobre os problemas e as soluções para a formação inicial de professores, área que tenho à minha responsabilidade na universidade onde trabalho. Este esclarecimento prévio deve-se ao facto de que muitos comentadores livres da nossa praça julgarem que quem critica as políticas educativas o faz sempre por má-fé sem apresentar soluções. Quando um Ministério da Educação não ouve as soluções que lhe apresentam, quem não gosta de o ouvir ser criticado deve procurar outro ministério para comentar.

O programa e o exame de Português no Ensino Secundário


Na discussão pública que ocorreu antes da homologação do Programa de Português do Ensino Secundário dos Cursos Científico-Humanísticos e Cursos Tecnológicos (10.º ano em 2001 e 11.º e 12.º anos em 2002), foram inúmeros os pareceres a denunciar a falácia científica do seu conteúdo e organização. Escrevi e defendi na altura que pagaríamos muito caro o erro colossal cometido e que o futuro provaria que este Programa não servia o seu objectivo maior ("Esta disciplina permitirá também que, no final do ensino secundário, o aluno seja capaz de interagir, oralmente e por escrito, receptiva e produtivamente, de forma adequada, nas situações de comunicação dos domínios gregário, transaccional e educativo, fundamentais para uma integração plena na sociedade, nomeadamente na resolução de questões da vida quotidiana.", como se escreve na Introdução). Os resultados dos exames de Português de 2008 comprovam-no e, infelizmente, na próxima década, dificilmente se adquirirão as competências exigidas e esperadas neste nível de escolaridade.

O professor de Português passou a ser oficialmente um apresentador de notícias sobre factos literários passados, limitando-se a mostrar aos seus discípulos a parte luminosa das obras exemplares na exacta medida em que essa mesma luz lhe foi transmitida livrescamente por manuais cada vez mais normativos que tendem a promover uma ideia falsa de que a aprendizagem de uma cultura, literatura e língua se faz de forma exacta e verificada empiricamente; o estudo da literatura transformou-se numa didáctica de charadas literárias. Não se trata da resolução de problemas, que é uma das grandes tarefas do pensamento crítico, mas de simples procura de uma solução objectiva e breve quanto possível para questões que se repetem de manual em manual, de ano em ano, de professor em professor. Por exemplo, quantas vezes se reduziu a análise de um poema a perguntas do tipo: "Qual a relação do eu com a Natureza?", "Como viam os poetas românticos a Natureza?", "Qual o papel da mulher na lírica galego-portuguesa?", ou a questão mais dramática que se pode colocar no estudo da literatura: "Explique o contexto em que se insere a obra?". O estudo da história literária foi reduzido, neste caso, à explicação contextual, que se acredita ser uma forma mais ou menos natural de aproximação à obra literária.

O questionário do exame de Português sobre Os Lusíadas (em itálico, por favor, e não entre aspas, porque a comunidade académica portuguesa e internacional há muito concordou nesta fórmula de referenciação bibliográfica, ao contrário da espantosa e ignorante indicação dada pelos supervisores do GAVE aos professores correctores, impedindo-os de corrigir este erro comum) é revelador do lastimável estado a que chegou o ensino do nosso património literário. Discordo em absoluto da opinião veiculada por dirigentes da A.P.P., que consideraram o grupo de questões sobre Os Lusíadas "grau de dificuldade elevado" ou que o problema dos resultados decorre apenas de um mau enunciado de exame, como se o exame não estivesse directamente ligado ao programa que examina. O comentário crítico guiado sempre foi um modelo seguido e não sofre contestação, mas o grau de complexidade da análise é confrangedor sobretudo nas questões mais técnicas: a identificação de uma apóstrofe ("ó vós que as famas estimais") é um exercício que um aluno de catorze anos deve ser capaz de executar, com a agravante de a correcção oficial exigir que a identificação inclua a expressão que relativiza a entidade apostrofada e não a entidade que se interpela, que por si só devia ser considerada válida; e a identificação do modo imperativo de uma estrutura verbal devia ser uma competência adquirida desde o 6.º ano de escolaridade, no mínimo. Acrescento que se impunha uma vistoria às propostas de correcção dos exames e às indicações dos supervisores aos professores encarregados da sua correcção. Este é um domínio obscuro, onde, se fosse possível tornar público o que aqui se passa, nos deveríamos assombrar ainda mais. A falência de resultados de exames nacionais também passa por aqui, embora todos ignorem esta variável.

Insisto na desmontagem do exame de Português quanto mais não seja para provar à Ministra da Educação que há quem consiga demonstrar que este exame é de facto um erro, mas um erro que resulta do cumprimento coercivo de um programa oficial espúrio, do qual ninguém pode esperar que se façam bons manuais ou esperar que dele nasçam boas práticas pedagógicas. Quando assim é, culpar os professores pelo insucesso é um acto de má-fé; se daqui nascer algum sucesso (ver curva descendente dos exames nacionais a Português nos últimos 3 anos), elogie-se a imaginação dos que ainda assim conseguir ensinar alguma coisa a partir de coisa nenhuma.

Hoje não se desafia directamente o estudante de 12.º ano a dizer, de moto próprio, o que é a fruição da obra de arte ou a comentar criticamente uma qualquer definição de obra de arte a partir de um comentário canónico; a pedagogia dominante obriga apenas a que o estudante saiba determinar, a partir de um duvidoso texto de Luís Francisco Rebelo (Grupo II do exame de Português do 12.º), se "na fruição da obra de arte, classificá-la torna-se: A) inadequado; B) impossível; C) indiferente; ou D) imprescindível". A resposta correcta esperada é C). A competência aqui testada é meramente dedutiva, o que indica que um aluno maduro (aquilo que se espera que seja um aluno que termina doze anos de escolaridade) é tratado como incapaz de fazer um exercício especulativo-demonstrativo sobre algo tão universal e rebatível como a definição do gosto e da fruição artística. Não sendo capaz de demonstrar tal capacidade, como vai este estudante evoluir para um sistema universitário onde o pensamento crítico é essencial para poder discutir não só os universais da cultura como os particulares de qualquer ciência ou arte? Podíamos continuar com as restantes questões de escolha múltipla e contestar a resposta dita "correcta". O exercício tem várias ambivalências e só prova que as disciplinas humanísticas (acontece o mesmo com a História e a Filosofia, por exemplo) jamais se poderão submeter a estes falsos exames para testar a competência da leitura textual (argumento de sempre da Associação de Professores de Português). Não se aprende a ler por dedução exacta de uma proposição dada como correcta a partir de um texto estudado; aprende-se a ler um texto reflectindo criticamente sobre os seus argumentos, o que só se consegue fazer construindo outros argumentos (validando ou refutando os argumentos iniciais) e não tentando adivinhar qual das soluções propostas por outrem é a mais exacta.

É o mesmo problema com a questão 7 sobre correspondências semânticas (uma das quais indemonstrável), um exercício de charada que substitui a análise crítico-interpretativa do discurso. Quem não estudou para este exame, pode, por capricho da sorte, acertar todas as correspondências, comprovando-se estatisticamente que o estudante de Português é hábil na capacidade de análise do discurso. Recordo que o objectivo assumido para este grupo II é o seguinte. "Todos os itens deste grupo visam avaliar a competência de leitura de um texto expositivo-argumentativo, bem como avaliar conhecimentos relativos ao funcionamento da língua." Esta filosofia representa o que sempre me afastou dos programadores oficiais da actual disciplina de Português. Em artigos e em livros publicados, expliquei já os fundamentos da minha crítica. Concluo agora a falência total do modelo de ensino que tentou transformar a disciplina de Português numa disciplina pragmática, de utilidade pública ao serviço da sociedade globalizada que nos oprime e impede de aprender por outra via, como se o ensino humanístico da cultura e da literatura fosse um caminho de perdição.

Para lutar contra o insucesso do Português, afirmar que "importa equacionar medidas de reforço do trabalho dos alunos nesta disciplina, designadamente estendendo ao ensino secundário as dinâmicas do Plano Nacional de Leitura", como o fizeram os responsáveis do ME, é um equívoco que mostra como são decididas as políticas educativas: acredita-se que o reforço de uma dada dimensão da aprendizagem (leitura) pode ser a solução para remediar um problema conjuntural que nasceu de uma errada concepção de um programa curricular nacional. Em vez de afirmar a necessidade de repensar o currículo e o seu efeito desastroso na formação dos estudantes, remenda-se a situação com a extensão de um programa de (justo) sucesso que é apenas isso mesmo, um remendo. O pensamento estratégico para o futuro que deve envolver toda a comunidade educativa quando se constrói um programa disciplinar do currículo nacional não interessa a quem governa a Educação.

A falência da formação de professores


Continuo a denunciar o Decreto-Lei n.º 43/2007 por entender, até prova em contrário, que compromete o presente e o futuro da formação de professores em Portugal. Um ano depois e já com o primeiro ano dos novos mestrados de ensino concluído, vejo reforçadas todas as preocupações que o diploma sempre levantou a todos os que têm a responsabilidade prática de formar professores. Continuo a acreditar que, infelizmente, os professores que estamos agora a formar nunca estarão preparados cientificamente para o exercício da docência de uma disciplina (ou de um par de disciplinas na maior parte dos casos, o que é ainda mais grave). Amanhã, dirão que as universidades não formam correctamente os professores, que a sua competência científica é cada vez mais deficiente e que o resultado se transfere para uma massa estudantil cada vez mais iletrada. O insucesso escolar dos professores vai juntar-se ao insucesso escolar dos estudantes e as teses sobre iliteracia cultural e literária multiplicar-se-ão. Este cenário de falência resulta directamente de uma política falhada de formação inicial de professores. Não repito aqui o longo parecer científico onde demonstro as falácias do DL n.º 43/2007, nomeadamente na junção absurda que faz de vários pares de disciplinas. Não repito aqui que o ME, ignorou todos os pareceres que recebeu denunciando esses erros graves de organização de falsos domínios científicos (História e Geografia, Biologia e Geologia, Física e Química) e uma arrumação desastrosa do Português com as línguas estrangeiras e as línguas clássicas. Continuo a denunciar que não é possível formar um professor de História ou de Geografia com apenas 54 créditos ECTS (um ano lectivo ou 9 disciplinas de licenciatura!); continuo a denunciar que é um crime jurídico ter deixado de fora os licenciados em Línguas com a variante de Estudos Portugueses e Ingleses, sem que ninguém encontre justificação para tal. Todos os dias sou obrigado a tentar resolver os graves e complexos problemas de equivalências e processos de transição que este Decreto-Lei criou. Apetece-me quase sempre reenviar os candidatos a professor à Rua 5 de Outubro: se irresponsavelmente o ME criou a Lei, não resolve agora um único problema dos muitos que a Lei levanta. Infelizmente, a falência que agora facilmente se pode prever para quem está no terreno será amanhã atribuída a que forma os professores e não a quem produziu a legislação.

Há cada vez mais uma política oculta na educação portuguesa para desprestigiar a formação científica dos professores, que se estende a muitos cargos administrativos do Edifício educativo. Alguns exemplos:
  1. os directores dos Centros de Formação de Associações de Escolas são seleccionados com critérios que privilegiam a formação especializada em Educação e remetem para o fim desses critérios, por exemplo, algo tão importante como comunicações apresentadas em conferências, congressos, colóquios, debates, seminários ou acções congéneres, e deixando de fora a aquisição de habilitações académicas para além da licenciatura.
  2. Pelo Decreto-Lei n.º 104/2008 de 24 de Junho, "a admissão a concurso para acesso a professor titular depende de prévia aprovação do candidato em prova pública que incide sobre a actividade profissional desenvolvida pelo docente, com o objectivo de demonstrar a sua aptidão para o exercício específico das funções inerentes à categoria." Mas a prova pública que passa pela apresentação de um trabalho pelo candidato e respectiva discussão, "versa sobre a experiência do quotidiano escolar vivenciada no exercício efectivo de funções docentes, designadamente na área disciplinar do candidato". Ou seja, para se poder ascender na hierarquia profissional dos professores de nada serve apostar na formação académica, por isso muitos mestres e doutores que já existem nos Ensinos Básico e Secundário são colocados na situação humilhante em que a sua aposta numa formação avançada é irrelevante, com o prejuízo agravado, e de natureza jurídica-administrativa mais do que duvidosa, de virem a ser avaliados por indivíduos com inferior qualificação académica.
  3. Depois de uma licenciatura e um mestrado em ensino (5 anos de formação), um indivíduo que se queira candidatar à profissão docente tem agora que prestar uma prova de ingresso, como se a profissão estivesse regulada por uma ordem profissional e como se o próprio ME fosse essa "Ordem". Em vez de reconhecer a formação científico-pedagógica concluída e avaliada pelas instituições do Ensino Superior, o ME declara a sua desconfiança no sistema que ele próprio criou (impondo o Decreto-Lei nº 43/2007), mas entrando em contradição institucional: o controlo da qualidade da formação faz-se na avaliação dos cursos de formação. Ora, as formações de 1.º ciclo (licenciatura) e de 2.º ciclo (mestrado) já são pré-avaliados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e espera-se que em breve sejam acreditados todos os cursos pela prometida Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior. Para quê então uma prova de ingresso para avaliar aquilo que já está avaliado pelas estruturas de outro Ministério? Ou não confia o ME na competência do MCES? E onde vai buscar o ME doutores em número suficiente para avaliar os novos mestres em ensino? Ou optará pela mesma estratégia (?) dos anunciados concursos para professor titular, com os burocratas licenciados do GAVE a avaliar os mestres formados pelas universidades, subvertendo ridiculamente a hierarquia académica e facilitando o caminho a impugnações fáceis de qualificações destorcidas?


Carlos Ceia

Publicado no Educare
em 21 de Julho de 2008

(via A Educação do meu umbigo - Maria C.)

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Eugénio Rosa - A taxa "Robin dos bosques" não existe

Eugénio RosaCaro (a) amigo(a)

O governo apresentou na Assembleia da República, com a data de 10.7.2008, a Proposta de Lei 217/X que no seu artº 4º trata da "Tributação autónoma para empresas de fabricação ou distribuição de produtos petrolíferos refinados", ou seja, aquilo que erradamente muito orgãos de informação designaram por taxa "Robin dos Bosques".

A analise dessa proposta de lei, que é feita no estudo que envio, mostra que, contrariamente àquilo que o governo tem afirmado, ele não tenciona criar um imposto extraordinário sobre os lucros das petrolíferas resultantes do aproveitamento que estas empresas estão a fazer da especulação que se verifica nos mercados internacionais do petróleo e dos combustíveis.

A análise mostra que o governo tenciona apenas impor um alteração no sistema de custeio que a GALP estava a utilizar apenas para efeitos fiscais, porque a nível de contabilidade já estava a utilizar o sistema de custeio que consta da proposta de lei do governo, pois a isso estava obrigada pelas Normas Internacionais de Contabilidade. É por essa razão que a proposta de lei do governo não vai reduzir em nada os lucros da GALP, como ela já afirmou no comunicado que emitiu.

Espero que este estudo possa ser útil na desmonstagem da gigantesca operação de manipulação da opinião pública que se verificou nas últimas semanas.

Com consideração

Eugénio Rosa

Economista

edr@mail.telepac.pt

20.7.2008

Estudo: A taxa “Robin dos bosques” não existe

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segunda-feira, julho 21, 2008

Joseph Stiglitz - O fim do neoliberalismo?

Joseph StiglitzNova York - O mundo não tem sido bom para o neoliberalismo, este apanhado de idéias baseado na noção fundamentalista de que os mercados são autocorrigíveis, alocam recursos de forma eficiente e atendem bem ao interesse público.

Foi esse fundamentalismo de mercado que sustentou o Thatcherismo, o Reaganomics e o chamado Consenso de Washington em favor da privatização, da liberalização e do foco dos bancos centrais no controle da inflação.

Durante um quarto de século, houve uma competição entre os países em desenvolvimento e os perdedores foram claramente os que adotaram políticas neoliberais. Mesmo quando cresceram, os benefícios se acumularam de forma desproporcional nos que já estavam no topo.

Embora os neoliberais não queiram admiti-lo, sua ideologia não passou em outro teste. Ninguém pode argumentar que os mercados financeiros fizeram um belo trabalho ao alocar recursos no fim da década de 90, quando 97% dos investimentos em fibras óticas levaram anos para ver alguma luz. Mas esse erro gerou ao menos um benefício: como os custos de comunicação foram reduzidos, Índia e China se tornaram mais depressa integradas na economia global.

Mas é difícil enxergar tais benefícios na errada alocação maciça de recursos para a construção civil. As novas residências construídas para famílias que não podiam pagar por elas viraram lixo, e milhões de residentes tiveram de deixar suas casas. Em algumas comunidades, o governo finalmente entrou no circuito para remover os destroços. Em outras, a destruição se amplia. Dessa forma, mesmo aqueles que foram modelos de cidadão, cuidadosos em seu endividamento e na manutenção de seus lares, agora verificam que o mercado desvalorizou suas residências além do que podiam supor seus piores pesadelos.

A bem da verdade, houve alguns benefícios de curto prazo no excesso de investimentos no mercado imobiliário: alguns americanos (talvez durante apenas alguns meses) gozaram do prazer de ter sua própria casa e de morar numa residência maior do que a que poderiam ter. Mas a que custo para eles mesmos e para a economia mundial! Milhões ficaram sem as economias de toda a vida quando perderam suas casas. E os arrestos de residências provocaram uma desaceleração global. Há um crescente consenso a respeito do prognóstico: ela será prolongada e abrangente.

Os mercados também não nos prepararam para os custos ascendentes do petróleo e dos alimentos. É claro que nenhum dos dois setores serve de exemplo de livre mercado, mas este é, em parte, o ponto: a retórica do livre mercado tem sido usada seletivamente — abraçada quando serve a interesses especiais, descartada quando não o faz.

Talvez uma das poucas virtudes do governo de George W. Bush é que o fosso entre a retórica e a realidade é menor do que no tempo de Ronald Reagan. Apesar de toda a retórica de Reagan sobre o livre comércio, ele impôs livremente sanções comerciais, incluindo a notória restrição “voluntária” das exportações de automóveis de concorrentes dos EUA.

As políticas de Bush foram piores, mas a abrangência com que ele serviu abertamente ao complexo industrialmilitar americano foi mais aparente. A única vez que o governo Bush se vestiu de verde foi na questão dos subsídios ao etanol (de milho), cujos benefícios ambientais são duvidosos.
Distorções no mercado de energia (especialmente via sistema fiscal) continuam, e se Bush tivesse acabado com elas, as coisas ficariam ainda piores.

Essa mistura de retórica de livre mercado e intervenção governamental foi particularmente ruim para os países em desenvolvimento. Foi-lhes dito para deixar de intervir na agricultura, expondo assim seus fazendeiros à devastadora concorrência dos Estados Unidos e da Europa. Eles poderiam competir com seus pares americanos e europeus, mas não com os subsídios dos EUA e da União Européia. Não surpreende que os investimentos em agricultura tenham caído nos países em desenvolvimento, ampliando o fosso entre os que têm e os que não têm o que comer.

Os custos recairão sobre os habitantes dos países em desenvolvimento, especialmente os pobres. Este ano, deveremos assistir a um grande aumento da pobreza, especialmente se a medirmos corretamente.

Para simplificar, num mundo de abundância, milhões nos países em desenvolvimento ainda não conseguem os ingredientes nutricionais mínimos. Em muitos países, aumentos nos preços de alimentos e energia terão um impacto devastador sobre os pobres, porque esses itens respondem por uma percentagem maior de seus gastos. A raiva ao redor do mundo é palpável. Especuladores, não é surpresa, recebem uma parte pequena dessa ira. Eles argumentam: não somos a causa do problema; estamos apenas engajados em “descobrir preços”, em outras palavras em descobrir — um pouco tarde demais para fazer algo a respeito este ano — que há escassez.

Mas essa resposta não é sincera. Expectativas sobre volatilidade de preços em alta encorajaram centenas de milhões de fazendeiros a tomar precauções. Eles poderiam ganhar mais se guardassem um pouco de seus grãos para vender mais tarde; e se não o fizerem, poderão não consegui-lo depois se a colheita do ano seguinte for menor do que o previsto. Um punhado de grãos retirado do mercado por centenas de milhões de fazendeiros em todo o mundo faz diferença.

Defensores do fundamentalismo e mercado querem transferir a culpa pela falha do mercado para o governo. Um alto funcionário chinês disse que o problema foi que o governo dos EUA deveria ter feito mais para ajudar os americanos de baixa renda na crise hipotecária. Eu concordo.
Mas isso não muda os fatos: os bancos americanos erraram no cálculo dos riscos numa escala colossal, com conseqüências globais, enquanto os responsáveis por essas instituições saíram de cena com bilhões de dólares em recompensas.

Hoje, há um descompasso entre o retorno social e o privado. A menos que sejam corretamente alinhados, o sistema de mercado não pode funcionar bem. O mercado neoliberal fundamentalista foi sempre uma doutrina política a serviço de certos interesses. Nunca recebeu o apoio da teoria econômica. Nem, agora fica claro, recebeu o endosso da experiência histórica. Aprender essa lição pode ser a nesga de sol nas nuvens que hoje pairam sobre a economia global.


Joseph Stiglitz in The End of Neo-liberalism?
publicado por Project Syndicate em Julho de 2008

© Project Syndicate, 2008.
www.project-syndicate.org

Tradução portuguesa em Arquivo de Artigos (O Globo)

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António Brotas - A Educação e os críticos

O Problema da Educação em Portugal não está só nos erros e insuficiências de quem governa mas, também, na quase absoluta falta de propostas (e muitas vezes ignorância) dos seus habituais e quase direi encartados críticos.

Tomemos o exemplo do crescimento anómalo este ano das notas de Matemática do Secundário em que o Ministério quis ver o resultado das medidas que recentemente tomou para melhorar o ensino da disciplina. Um senhor permitiu-se mesmo aparecer na Televisão a dizer que os pontos tinham sido elaborados segundo critérios científicos. Contra esta risível opinião a Doutora Filomena Mónica emitiu uma violentíssima critica largamente referida na Comunicação Social , em que afirmou que para melhorar o ensino da Matemática era necessário formar professores e melhorar o ambiente das escolas.

FM teve, certamente. razão no que disse, mas ignorou que temos actualmente (e sempre tivemos) muitos professores capazes de ensinar bem Matemática. O problema da melhoria do nosso ensino da Matemática não é, assim, um problema a resolver a prazo. É, fundamentalmente, o problema de sermos capazes de utilizar os nossos melhores professores (do Secundário e do Superior) para definirem os programas, elaborarem os pontos, reciclarem os maus professores e, naturalmente, formarem científica e pedagogicamente os professores do futuro.

Tivemos, no inicio dos anos 70, uma excepcional experiência em termos europeus de ensino da Matemática: a das turmas experimentais do 11º ano orientada pelo Professor Sebastião e Silva, que, infelizmente, morreu pouco depois e não pôde dar continuidade a este seu trabalho, que deveria ter influenciado todo o ensino português. Da experiência dos anos 70 ficou um Compêndio policopiado que, depois do 25 de Abril, o Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério editou em livro, em tiragens de 20.000 exemplares, conjuntamente com um Guia para os professores. Estes livros não se encontram hoje à venda em parte alguma.

O Ministério daria um imediato e grande contributo para o ensino da Matemática se reeditasse este Guia de autoria do Professor Sebastião e Silva e o fizesse distribuir a todos os professores do Secundário. Muito em particular, eles podem nele encontrar conselhos muito úteis e oportunos sobre o tipo de perguntas que se devem fazer nos exames. (13/07/08)


António Brotas
Antigo Director do GEP do Ministério da Educação e Professor Jubilado do IST

publicado por Moriae em A Sinistra Ministra
a 20 de Julho de 2008

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domingo, julho 20, 2008

A Orquestra Vegetal

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quinta-feira, julho 17, 2008

Américo Tavares - Exames de Matemática

Exame de Matemática de 2008
A questão do facilitismo do Ministério da Educação entrou finalmente na arena pública, com a Ministra a desconsiderar as múltiplas chamadas de atenção do Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática.
Exame de Matemática de 1968
Américo Tavares não elaborou considerações directas sobre esta desinteligência entre o governo e a sociedade civil. Oferecendo uma contribuição maior para o debate, conseguiu recuperar uma prova do antigo sétimo ano do liceu, o nível escolar equivalente ao actual 11º Ano. De forma que qualquer leitor pode hoje tirar as suas próprias conclusões.
Reproduzo apenas as primeiras questões das duas provas, separadas por quarenta anos. O resto pode ser consultado em problemas|teoremas de Américo Tavares:
  1. Exame de Matemática de 1968
  2. Exame de Matemática de 2008


PS: Já depois de escrito o post, descobri que também cá por casa havia exames graças aos cuidados de Magda Reprezas. São também do sétimo ano de 1968. Digitalizei dois, ambos da primeira chamada:
  1. Exame de Matemática (pág 1 e pág 2)
  2. Exame de Física e Química (pág 1 e pág 2)


Nessa altura não havia ainda máquinas de calcular de bolso, mas era permitido usar a tabela de logaritmos.

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quarta-feira, julho 16, 2008

Sociedade Portuguesa de Matemática - Exame do 12º Ano

No entanto, não nos parece que o exame tenha atingido ainda o objectivo de avaliar devidamente os conhecimentos matemáticos que os alunos devem ter à saída do Ensino Secundário. Algumas questões podem facilmente ser resolvidas por alunos de anos inferiores (Grupo I: questões 2 e 6; Grupo II: questão 5) e outras correspondem aos primeiros exemplos mais elementares de cada matéria. Este facto deveria, em nossa opinião, ser compensado com algumas questões de maior dificuldade. Por isso, não nos parece que o exame tenha o desejável equilíbrio de dificuldade.

Apesar de pensarmos que esta prova não é difícil, apresenta um grau de dificuldade francamente superior ao da prova da primeira fase. Isso torna-se claro por exemplo nas questões de probabilidades (2 e 3 do grupo II), tanto na interpretação como na complexidade das ferramentas matemáticas necessárias à resolução. Além disso, este exame foca conceitos bem mais abstractos e complexos, tais como a noção de limite segundo Heine, o cálculo de derivadas por definição e o triângulo de Pascal.

Leia o resto aqui.

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As férias e eu

The Sea - by Arlene Graston The sea - Arlene Graston
No primeiro dia de férias vou acordar com uma sensação de vazio e farei uma pergunta já repetida a mim própria:" e agora, o que vou fazer?"

A pressão diária a que todos estamos sujeitos permanentemente, a urbanidade que nos é imposta, os horários obrigatórios, os esquemas que temos que cumprir diariamente, como se de uma lista de supermercado, farmácia,etc., se tratasse, embrutece-nos, não nos deixando espaço para a criatividade fora do plano em que estamos inseridos. Podemos ser criativos nesse plano mas, as nossas outras potencialidades são reprimidas, quase esquecidas. E não só, muitas necessidades intelectuais e afectivas são simplesmente ignoradas por nós por não se encaixarem no esquema... E isto tudo em nome do progresso, da organização da sociedade!

O que é mais grave é que estamos a introduzir as crianças e os adolescentes neste modo de viver, neste remoinho de actividades diárias, cortando-lhes a possibilidade de estarem simplesmente sem fazer nada, momentos durante os quais novas ideias poderiam surgir, fora do contexto traçado.

Estamos a transformar-nos em autómatos de que se exige um desempenho eficaz e dentro das normas!

Não é por acaso que cerca de 24 milhões de pessoas de 107 países tomam Prozac no intuito de conseguirem um equilíbrio psicológico, ainda que precário, para conseguirem desempenhar os papéis que deles se espera.

São cortadas as nossas raízes ( com a migração ) e o contacto com a Natureza de que fazemos parte integrante. Muitos nem querem ouvir dizer que fazemos parte de uma teia invisível que une todos os seres: vivos e inanimados. Não querem saber que quando um fio dessa teia se parte, todo o conjunto fica fragilizado e se ressente!

Os rituais religiosos, os familiares ou de grupos de pertença têm sido banidos a ponto de muitas pessoas se questionarem sobre a sua própria identidade! O individualismo sobrepõe-se ao colectivismo e, sem saberem porquê, elas encontram-se sós, profundamente isoladas.

O retorno à Natureza, ao equilíbrio com ela, far-se-á um dia mais tarde, depois de acontecerem grandes convulsões sociais, desde que não se percam as linhas dos valores e conhecimento humano.
Mas é importante que nos demos conta do que está a acontecer e agirmos sempre de modo a contrariar as tendências estupidificantes de uma globalização acéfala cujo fim principal é o da exploração da mão-de-obra disponível e frágil por não reconhecer o seu próprio valor e porque a miséria ainda impera.

No meu 1º dia de férias vou ficar sem fazer nada, a ouvir-me a mim própria, a relembrar as minhas origens e os ensinamentos que recebi. É o mesmo que dizer que vou fazer uma reunião com os já ausentes também, que foram importantes na minha vida.
E já agora, por que não?, tentar pôr em ordem os meus próprios objectivos!
Depois... acho que vou passear como toda a gente...

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Espiral de Cornu

Espiral de Cornu

Os pequenos triângulos verdes assinalam os pontos onde o parâmetro s é inteiro (0, ± 1, ..., ± 6).
Esta curva é definida por uma propriedade geométrica: a sua curvatura é, em cada ponto, igual ao comprimento do arco (o parâmetro s) desde a origem. Quando o parâmetro cresce idefinidamente, a curva tende para o ponto de abcissa e ordenada 1/2. A curvatura muda de sinal (sentido) na origem: ponto de inflexão.
Aparece em numerosas aplicações de física, engenharia e arquitectura, cuja proximidade conceptual não é evidente à primeira.
Na engenharia civil, é usada no traçado das faixas de aceleração ou desaceleração das auto-estradas.
Na física (óptca), é usada no estudo das manchas de difracção.
É usada na propagação das ondas electromagnéticas para modelar o efeito difusor devido a um obstáculo transversal em lâmina (elipsóides de Fresnel).


Mais informações:
Wikipedia
Wolfram Mathworld
Georgia State University
Geocities

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Mário Crespo - Tempestades de águas passadas

Mário CrespoNada nos objectivos e missão da Águas de Portugal a capacita para entrar nas ruinosas negociatas internacionais agora denunciadas pelo Tribunal de Contas. O que permitiu esta situação na AdP e noutras empresas públicas foram as interpretações abusivas do seu estatuto autonómico e o laxismo cúmplice de tutelas incapazes.

Foi na década de noventa que se iniciou o baile de máscaras que travestiu empresas do Estado em simulacros de corporações privadas de modelo americano. Houve na altura colossais transferências de Bruxelas para o Banco de Portugal que nos deram dinheiro como nunca se tinha visto. Verbas que a CEE confiava ao executivo português para serem usadas na tão necessária modernização do país.

A Águas de Portugal nasce dessa imensa bonança financeira, exactamente porque era dos sectores mais necessitados de infra-estruturas. E teve muito dinheiro para isso. O suficiente para desviar algum para umas apostas no jogo da roda internacional. A coberto do pretexto de que eram as suas áreas de perícia compraram-se participações financeiras no Brasil, Cabo Verde, Argélia, Angola, Moçambique e onde quer que os aguadeiros estatais precisassem de um parceiro endinheirado, esbanjador e inimputável.

Outras empresas públicas faziam o mesmo com a inebriante liquidez que o ECU nos trazia, e de repente, funcionários públicos mascarados de gestores privados passaram gerir esses sectores do Estado opados com dinheiros comunitários e a comportar-se como magnates num confortável jogo de monopólio com dinheiro a sério, que não era deles e que e parecia inesgotável. No processo foram desbaratando activos que são propriedade do povo português.

Foi nesse período que a PT, à força de ECU, derrotou telefónicas muito mais experientes e financeiramente estruturadas, numa doida corrida para comprar uma empresa de telecomunicações brasileira que Belmiro de Azevedo identificou logo, na OPA, como sendo o calcanhar de Aquiles da telecom lusa. Foi também nesse período que o próprio Banco de Portugal, num dos mais desastrados investimentos na nossa história, apostou reservas de ouro nacionais em acções de altíssimo risco que eram oferecidas em Wall Street aos apostadores mais ousados.

Tavares Moreira, então governador do Banco de Portugal, acreditou na Dona Branca americana que se chamava Michel Milken e prometia rendimentos miríficos. Milken acabou na cadeia. Portugal perdeu não se sabe ao certo quanto, mas foi o suficiente para fazer notícia numa edição da Newsweek.

Já se passaram mais de vinte anos sobre estes desastres financeiros, mas eles estão bem contabilizados no défice das contas públicas que andamos a equilibrar à custa de maternidades e escolas encerradas, pensões de reforma proteladas e desemprego, porque não há dinheiro.

Um pormenor importante: as alterações do estatuto das empresas públicas que lhes deram esta latitude e impunidade para esbanjamento do património nacional verificaram-se entre 1985 e 95. Era primeiro-ministro o professor Aníbal Cavaco Silva. Tudo o que veio depois é consequência de um modelo tragicamente errado.


Mário Crespo
Publicado no Jornal de Notícias de 7 de Julho de 2008

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terça-feira, julho 15, 2008

masson - Diário das sessões

massonMudam-se os tempos, mudam-se as vontades?
masson foi buscar, não o Diário da Sessão da semana passada com o debate sobre O estado da Nação, mas o de 2 de Outubro de 2003. Vale a pena ler.

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segunda-feira, julho 14, 2008

Ellen Nakashima - Liga o iPhone, toda a gente saberá onde estás

iPhone

O lançamento do iPhone assinala a sofisticação crescente da indústria dos telefones celulares e dos dispositivos portáteis, mas levanta igualmente novas questões de privacidade. O iPhone combina funções de localização (GPS) com (pesquisas de) a internet por forma a identificar a posição do portador e mostrar os pontos de interesse próximos. Estas capacidades e a informação que geram podem ser usadas por publicistas para estudarem a colocação de anúncios, centros comerciais para atrair consumidores, delegados de seguros para ajustar prémios ou pais para saberem dos filhos. Contudo, muitos utilizadores poderão não se dar conta de que, ao partilharem esta informação, estão a criar registos permanentes nos operadores de telefones móveis, nos fornecedores de serviços da internet ou nos departamentos da polícia e de que a informação precisa da hora e lugar onde estiveram ficará à disposição de terceiras partes.
"Há uma barreira entre as nossas vagas impressões de que podemos ser observados e o conhecimento preciso de quem e quando alguém estará efectivamente a observar-nos, com que finalidade o faz e qual a extensão dos meios técnicos disponibilizados pelos operadores",
segundo o professor de ciências jurídicas Jennifer Urban da Universidade da Califórnia do Sul.

(Resumo mais completo em inglês aqui)


Ellen Nakashima in When the Phone Goes With You, Everyone Else Can Tag Along
publicado por Washington Post em 12 de Julho de 2008

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Andrés Lieban - Corrente pra frente

Desenhos animados feitos em papel, quadro a quadro, digitalizados e finalizados em flash, que produzem arquivos leves, rápidos, com linguagem moderna e atual, ideal para a internet.

Esta vinheta de Andrés Lieban propõe manter o foco no grito do mundo. É quando deixarmos de ser indiferentes que fazemos a diferença. Venceu no Festival Livre de Animação (FLA) 2002.

in Laboratório de desenhos

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sábado, julho 12, 2008

O carro eléctrico do professor Hiroshi Shimizu

Hiroshi Shimizu
(Clicar na figura para abrir o vídeo)


Documentário sobre o desenvolvimento de um carro elétrico pelo professor Hiroshi Shimizu . Este carro se chama Eliica. Usa Baterias de Lítio . Autonomia de mais de 300Km de distância entre recargas. Aceleração de 0 à 160Km/h em 7,04 segundos. Velocidade máxima possivel de 370Km/h. Este automóvel gasta um terço da energia em relação a um automóvel comum para o mesmo desempenho.


Electric Lithium-Ion Car
Mais Informações em Português
Mais Informações em inglês
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Electric Car Lithium


Andrelz in Eliica o Super Carro Elétrico Japonês
publicado por Google video em 10 de Dezembro de 2006

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Paulo Guinote - Opções insanas na política da Educação

Há duas maneiras de ultrapassar a ansiedade dos factos adversos às nossas aspirações: prepararmo-nos cuidadosamente para vencer uma a uma cada dificuldade ou baixarmos as nossas expectativas. Quando assumidas, qualquer uma destas opções é válida, embora naturalmente com resultados diferentes. Mas há quem ceda à tentação de enveredar pela segunda e se convença que está a seguir a primeira. Aparentemente, há um tipo de esquizofrenia induzida pela tentativa do exercício de funções acima do nível de competência. (AF)




É recorrente em Portugal dizer-se que a Educação está mal. De tanto o dizermos tornou-se uma espécie de ruído de fundo familiar, uma das nossas fatalidades, à qual já nos habituámos e sem a qual dificilmente viveríamos. Se desaparecesse, estranharíamos. É o escape para todos os nossos falhanços:
  • A economia não se desenvolve? É a falta de qualificações!
  • A vida política é uma lástima? Falta de educação cívica!
  • A corrupção e o cunhismo são um modo de vida? Precisamos de uma mudança de mentalidade que deve começar na Escola.
Verdade se diga que com mais 150 anos de declínio, a anunciar-se repetidamente que a Educação está bater no fundo, só é possível que esse mesmo fundo esteja seja em movimento descendente.

Mas, neste particular, o actual Governo inovou com alguma ousadia e não pouco arreganho, pois decidiu que apesar de estarmos mal, a partir de agora vamos ter números para demonstrar à saciedade que estamos bem.
  • Há falta de qualificações? Damos Novas Oportunidades ao desbarato para o pessoal se certificar e diplomar.
  • Há (ou voltam a haver) sinais do abandono escolar não descer? Retira-se gravidade à falta de assiduidade dos alunos.
  • Há maus resultados nos exames? Manda-se «melhorar a qualidade» dos exames.
O actual Governo, pelas mãos diligentes da equipa do Ministério da Educação decidiu apresentar «reformas», traduziu-as em milhentas iniciativas legislativas e declarou que a partir de agora tudo entraria nos eixos, a começar pelos professores, esses dispendiosos malandros, que são responsáveis, desde sempre, pelas políticas educativas, pelos decretos, leis, portarias e despachos, pela sua própria formação e pelas condições de ingresso na carreira, pelo currículo, pelos programas e pelo sistema de avaliação, mais o desequilíbrio orçamental.

As coisas não parecem dar mais resultado do que libertar verbas para equipar as escolas, porque os alunos em pouco parecem ter melhorado o seu desempenho? Fabrica-se sucesso a rodos, a começar pela Matemática, essa velha bête noire do sistema educativo. Os alunos não sabem a tabuada aos 10 anos? Coloca-se a dita no formulário do exame. Aos 12 não sabem calcular a área de um quadrado ou círculo, coloca-se a fórmula no enunciado. Aos 15 ainda não sabem o que devioam saber aos 12? Então elaboram-se questões para um aluno de 10 anos.

E assim se constrói toda uma nova realidade ridente, de muitos numerozinhos feita.

Deve ser um novo paradigma.

Paulo Guinote in O estado da Educação
publicado em A Educação do meu umbigo em 11 de Julho de 2008

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quinta-feira, julho 10, 2008

Medina Carreira - Sobre a Reforma da Administração Pública

Medina Carreira
Magnífica descrição de um regime político microcéfalo. (AF)



A Reforma da Administração Pública não se faz numa legislatura. Nem se faz a correr. Nem se faz com aqueles sindicatos todos a zaragatear. Faz-se com estudos no terreno, por gente, por técnicos avalizados, que tomem muito cuidado, que falem com as pessoas que sabem, que vão aos sítios onde as coisas se passam e depois apresentem projectos. Que não se fechem num gabinete a fazer leis, que depois discutem aí com uns sindicatos e depois vêm cá para fora.

Diagnóstico de Medina Carreira sobre "A situação do País" (entrevista à SIC no dia 9 de Julho de 2008)

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quarta-feira, julho 09, 2008

Relato de um homem que depilou os tintins

Estava eu a ver TV numa tarde de domingo, naquele horário em que não se pode inventar nada para fazer, pois no outro dia é segunda-feira, quando a minha esposa se deitou ao meu lado e começou a brincar com minhas 'partes'.:)

Após alguns minutos ela teve a seguinte ideia:
- Por que é que não me deixas depilar os teus 'ovinhos', pois assim eu poderia fazer 'outras coisas' com eles.

Aquela frase foi igual a um sino na minha cabeça. Por alguns segundos imaginei o que seriam 'outras coisas'. Respondi que não, que doeria coisa e tal, mas ela veio com argumentos sobre as novas técnicas de depilação e eu a imaginar as 'outras coisas', não tive argumentos para negar e concordei.

Ela pediu-me que me pusesse nu enquanto ia buscar os equipamentos necessários para tal feito. Fiquei a ver TV, porém a minha imaginação vagueava pelas novas sensações que sentiria e só despertei quando ouvi o beep do microondas.

Ela voltou ao quarto com um pote de cera, uma espátula e alguns pedaços de plástico. Achei estranhos aqueles equipamentos, mas ela estava com um ar de 'dona da situação' que deixaria qualquer médico urologista sentir-se um principiante.

Fiquei tranquilo e autorizei o restante processo. Pediu-me para que eu ficasse numa posição de quase-frango-assado e libertasse o aceso à zona do tomatal.

Pegou nos meus ovinhos como quem pega em duas bolinhas de porcelana e começou a espalhar a cera morna. Achei aquela sensação maravilhosa! O Sr. 'tolas' já estava todo 'pimpão' como quem diz: 'Sou o próximo da fila!' Pelo início, imaginei quais seriam as 'outras coisas' que aí viriam.

Após estarem completamente besuntados de cera, ela embrulhou-os no plástico com tanto cuidado que eu achei que ia levá-los de viagem. Tentei imaginar onde é que ela teria aprendido essa técnica de prazer: Na Tailândia, na China ou pela Internet?

Porém, alguns segundos depois ela esticou o 'saquinho' para um lado e deu um puxão repentino. Todas as novas sensações foram trocadas por um sonoro ' A puuuuta queeee te pariuuuuuuu', quase gritado letra por letra.

Olhei para o plástico para ver se a pele do meu tin-tin não tinha vindo agarrada. Ela disse-me que ainda restavam alguns pelinhos, e que precisava repetir o processo. Respondi prontamente: Se depender de mim eles vão ficar aí para a eternidade!

Segurei o Sr. Esquerdo e o Sr. Direito nas minhas respectivas mãos, como quem segura os últimos ovos da mais bela ave amazónica em extinção, e fui para a banheira. Sentia o coração bater nas 'pendurezas'.

Abri o chuveiro e foi a primeira vez na minha vida que molhei a salada antes de molhar a cabeça. Passei alguns minutos deixando a água gelada escorrer pelo meu corpo. Saí do banho, mas nestes momentos de dor qualquer homem se torna num bebezinho: faz merda atrás de merda. Peguei no meu gel pós barba com camomila 'que acalma a pele', besuntei as mãos e passei nos 'tomates'. Foi como se tivesse passado molho de piri-piri. Sentei-me no bidé na posição de 'lavagem checa' e deixei a água acalmar os ditos. Peguei na toalha de rosto e abanei os 'ditos' como quem abana um pugilista após o 10° round.

Olhei para meu 'júnior', coitado, tão alegrezinho uns minutos atrás, e agora estava tão pequeno que mais parecia o irmão gémeo de meu umbigo.

Nesse momento a minha esposa bate à porta da casa de banho e perguntou-me se eu estava bem. Aquela voz antes tão aveludada e sedutora ficou igual a uma gralha. Saí da casa de banho e voltei para o quarto. Ela argumentava que os pentelhos tinham saído pelas raízes, que demorariam a voltar a crescer. Pela espessura da pele do meu tin-tin, aqui não vai nascer nem sequer uma penugem, disse-lhe.

Ela pediu-me para ver como estavam. Eu disse-lhe para olhar mas com meio metro de intervalo e sem tocar em nada, acrescentando que se lhe der para rir ainda vai levar porrada!!

Vesti a t-shirt e fui dormir, sem cuecas. Naquele momento sexo para mim nem para perpetuar a espécie humana. No outro dia de manhã, arranjei-me para ir trabalhar. Os 'ovos' estavam mais calmos, porém mais vermelhos que tomates maduros. Foi estranho sentir o vento bater em lugares nunca d'antes soprados.

Tentei vestir as boxers, mas nada feito. Procurei algumas mais macias e nada. Vesti as calças mais largas que tenho e fui trabalhar sem nada por baixo. Entrei na minha secção com uma andar igual ao de um cowboy cagado.

Disse bom dia a todos, mas sem os olhar nos olhos, e passei o dia inteiro trabalhando de pé, com receio de encostar os tomates maduros em qualquer superfície.

Resultado, certas coisas só devem ser feitas pelas mulheres. Não adianta nada tentar misturar os universos masculino e feminino.


Recebido por email do meu amigo Paulo que está em Angola

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terça-feira, julho 08, 2008

Eugénio Rosa - O efeito stock

Caro(a) amigo(a)

O presidente da GALP multiplicou-se nas últimas semanas em declarações aos órgãos de informação com o objectivo de branquear o comportamento das petrolíferas e justificar a continuação da escalada de preços dos combustíveis que se continua a verificar no nosso País. Ao semanário Expresso de 28 de Junho chegou mesmo a afirmar:
"Não gosto que nos chamem ladrões"


No entanto, como já tinha acontecido com a Autoridade da Concorrência (AdC) e com o próprio governo fugiu às principais questões, não esclarecendo as causas internas que estão também a contribuir para a escalada de preços em Portugal.

Neste estudo, utilizando dados oficiais mais recentes, analiso as questões que o presidente da GALP, a AdC e o próprio governo ainda não esclareceram os portugueses. Utilizando dados da própria GALP calculo que os lucros extraordinários obtidos por esta petrolífera em 4 anos devido apenas ao chamado "efeito stock" , ou seja, lucros que resultam do aproveitamento feito por esta empresa da especulação que se verifica no mercado internacional do petróleo, já ultrapassam os 1.000 milhões de euros.

Espero que este estudo possa ser útil.

Com consideração

Eugénio Rosa
edr@mail.telepac.pt

Economista

Publicado em 6 de Julho de 2008

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Galp -Energia - embuste

Sr. Primeiro Ministro de Portugal, observe caso não saiba já:

Galp

Entretanto, no dia 1 de Julho entrou em vigor a nova taxa de IVA a 20%, generosidade eleitoral que muito agradecemos...Galp

E ESTA, HEM?! - como diria Fernando Pessa!

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segunda-feira, julho 07, 2008

O fim da linha



A arte maior revela-se natural a um público consciente. Consciente de todas as atrocidades que já foram cometidas em seu nome ou, pior ainda, em nome dessa instituição tão abstracta chamada Música. Abrimos o Artur Fão e lá está- Música: "A arte de exprimir sentimentos ou impressões por meio de sons". Tão simples. Tão transparente. Com efeito percebe-se que o fim da linha estava... na primeira página.
O que virá a seguir? A seguir enquadra-se a linguagem verbal como um ramo da música e resgatam-se todas as harmonias das mãos dessa tirana: a PALAVRA.
Tão forte e de fraca pontaria...

domingo, julho 06, 2008

Foi assim no castelo...





Registo do concerto de António Raposo & Ensemble

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sexta-feira, julho 04, 2008

O que vale um balde?

SwimmingUm velho fazendeiro tinha um bonito lago na sua enorme fazenda. Depois de muito tempo sem ir ao local, decidiu dar uma olhada geral para ver se estava tudo em ordem. Pegou num balde para aproveitar o passeio e trazer umas frutas existentes no caminho. Ao se aproximar do lago, escutou vozes femininas, animadas, divertindo-se. Ao chegar mais perto, avistou um grupo de jovens mulheres a tomar banho, completamente nuas. Como quem não liga ao assunto, apareceu mais perto da beira do lago de modo que elas o vissem; todas fugiram para a parte mais funda do lago, mantendo somente a cabeça fora d'água. Uma das mulheres gritou:
- Não sairemos enquanto o senhor não for para bem longe!
O velho respondeu:
- Não vim até aqui para ver vocês nadando ou saindo nuas do lago!
Levantando o balde, disse-lhes:
- Só vim dar comida ao jacaré...

Recebido por email do Barracas.

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Medina Carreira - Nem quero falar da Educação

Excertos da entrevista de Gomes Ferreira (GF), do programa Negócios da Semana da SIC, a Medina Carreira (MC) no dia 3 de Julho de 2008. (AF)

Medina Carreira



...


MC - O resto continua na mesma, o ensino é uma lástima, os alunos não sabem escrever mas os erros não contam, dão uma ideia de facilidade, sem exames, sem coisa nenhuma, depois os serviços fazem uns exames que - dizem os especialistas - aquilo não presta para nada, é facílimo... Portanto, isto é tudo uma mentira pegada. O país não está a resolver nenhum dos seus problemas de fundo.

...


GF - Mas diga-me uma coisa, na Educação pelo menos fez-se a avaliação dos professores.
MC - Mas você acredita nisso?
GF - Pelo menos oficialmente está aprovada.
MC - Oiça! Eu nem quero falar da Educação, sabe. Porque as crianças, os jovens de hoje, não perceberam que se deviam revoltar contra os políticos. Os políticos estão a hipotecar o futuro deles.
GF - Já vamos a isso. Mas, do que a Ministra fez, nada serviu?
MC - Oiça! A Ministra, ao princípio pareceu-me - aliás creio que aqui a si ou a alguém disse que me parecia - que era dos poucos ministros que valia a pena.
GF - E agora? Já perdeu o ímpeto?
MC - Mas a Ministra não percebeu nada do que estava a fazer, porque ela quis pôr os professores na ordem, mantendo os alunos indisciplinados. Meu amigo: todos nós fomos estudantes. Imagina que, com gente indisciplinada, pode (até) levar para lá um professor catedrático. O professor catedrático não ensina nada porque eles não deixam ensinar. Portanto, a primeira coisa a fazer era pôr ordem nas aulas...
GF - E não fez isso?
MC - Concerteza que não! Então não viu aquela história do telefone?
GF - Ah! Isso, rebeldia, toda a vida existiu.
MC - Não, não! Não me venha com isso. No meu tempo não havia rebeldia daquele estilo... Nem no seu.
GF - Não! Não havia, não.
MC - Aquilo existe há uns anos. Agora, desde que há estes ministros, assim, que andam aí para agradar.
GF - Mas há casos isolados e há situações...
MC - Olhe! Se os pais tivessem a noção do mal que estão a fazer aos filhos; e se os filhos tivessem a noção da hipoteca que os políticos estão a lançar sobre eles - no futuro vão ficar uns ignorantes, na maior parte dos casos - eles já tinham vindo para a rua protestar. Não eram os sindicatos! Eram os meninos.
GF - Mas o que o Sr está a referir já não é um problema de governação ou de relação entre governados e governantes.
MC - Então o que é?
GF - É mais vasto... É civilizacional. É da organização do País e da relação de civilidade entre as pessoas...
MC - Mas... Ó Gomes Ferreira, se você disser aos pais e aos meninos: Bom! Isto é civilizacional, somos todos uns selvagenzitos, não é para aprender coisa nenhuma, nem saber contar, nem escrever, nem falar, nem pensar... Mas isto vai sair-lhes muito caro.
GF - Mas não digo nada disso...
MC - Agora, era preciso dizer-lhes isso. Não dizer: Eles são todos uns ignorantes, mas os exmes estão a dar melhores resultados. Houve progressos brutais de um ano para o outro. Pá, isto é tudo uma mentira que ninguém acredita.
GF - Eu não digo nada disso. Eu digo é às minhas filhas para estudar e acompanho-as, a minha mulher também as acompanha e acho que 80% dos pais em Portugal fazem o mesmo... Acho eu. Portanto, se calhar também não é tão vasto o problema como dizem...
MC - Não, não! Sabe, meu caro Gomes Ferreira, o problema é este: é que aqueles que precisavam de ser objecto de exigência e da aprendizagem, que são aqueles das classes mais baixas, eles vão ficar tão preparados que serão de classes mais baixas amanhã. Os seus filhos vão ser de uma classe média, como a minha filha é. É que nós estamos a manter esta estratificação, exactamente não ensinando àqueles aos quais precisaríamos de exigir... Porque aqueles que estão em baixo é que precisam ser trazidos para cima. Não é dizer: Coitadinhos, não aprendam nada, vocês não têm culpa de nada, são uns desgraçadinhos, agora continuem... Não, não! Esses é que têm que ser puxados, não são as suas filhas ou a minha.
GF - E esses fariam o país progredir?
MC - Exactamente, esses é que precisam.
GF - E o sistema, como está, não os ajuda?
MC - Ah! Você não me obrigue a ser eu a interrogá-lo. Você acha que...
GF - Mas eu quero ouvi-lo. Com mais profundidade.
MC- Ah quer ouvir-me? Sabe, eu deixei de ensinar porque estava farto de ignorantes. Eles não sabiam falar, não sabiam escrever, erros uns a seguir aos outras. Não sabiam falar - aliás veja como hoje alguns ministros têm dificuldade em articular; o vocabulário é escasso, a gaguez é imensa - há uns "supônhamos" que saem assim um bocadinho descuidados...
GF - É cada vez mais frequente esse erro.
MC - Portanto, você acha que isto aqui é uma coisa que tem jeito? Ninguém quer denunciar, porque isto não é simpático. É melhor andarmos todos a abraçar-nos uns aos outros. Portanto, não vamos longe com esta falta de qualidade...

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quinta-feira, julho 03, 2008

Angola e o seu submundo

"O povo Angolano sofre agora como nunca sofreu. No tempo dos chamados colonos, nunca eu vi crianças a viverem nos esgotos e a comerem ' NADA'." (palavras de um angolano chamado Ninito!)
America's New Frontier - Angola

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Il Divo - without you

"Without You" é uma canção originalmente gravada por Badfinger para o álbum No Dice (1970), escrita por Pete Ham e Tom Evans e produzido por Geoff Emerick.Os seus versos foram compostos por Ham. Originalmente intitulada "If It's Love". (Wikipedia)



Uma oportunidade também para recordar Mariah Carey (1994; não é possível embeber o vídeo sem batotas do Overstream) e escutar um grupo multinacional que, na minha opinião, tem muita qualidade! (MR)

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Arménio Carlos - Um PS amordaçado

Arménio Carlos, CGTPEm 2003 o Grupo Parlamentar do PS votou contra a proposta de lei do Código do Trabalho apresentada pelo Governo do PSD/CDS-PP. Na altura assumiu em declaração de voto:
"A proposta de lei é conservadora e retrógrada porque ignora a evolução do direito do trabalho ao longo de todo o século XX, retoma a matriz civilista que assenta na ficção da igualdade das partes na relação laboral, sobrepõe a relação individual de trabalho às relações colectivas de trabalho e combina a desregulamentação dos mercados de trabalho com intervenções casuísticas e autoritárias do Governo."
E, mais à frente, referia:
"O que verdadeiramente está em causa é a filosofia e a alteração estrutural das leis laborais que a proposta de lei encerra: o reforço dos poderes do empregador, o enfraquecimento da dimensão colectiva, o acentuar da dependência do trabalhador; visão que, tendo em conta a matriz constitucional do direito e a concepção que perfilhamos dos direitos dos trabalhadores, não podemos compreender nem aceitar!"


Arménio Carlos in 3 Notas sobre o Código de Trabalho,
publicado por Meia Hora em 3 de Julho de 2008 (página 10)

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quarta-feira, julho 02, 2008

APEDE versus João Freire

Para uma genealogia do Estatuto da Carreira Docente - 1


Recentemente, tem sido objecto de crescente atenção um texto que dá pelo título de Estudo sobre a Reorganização da Carreira Docente do Ministério da Educação, da autoria de João Freire, sociólogo do ISCTE e mentor da actual Ministra da Educação. O Paulo Guinote deu-lhe o devido destaque no seu blogue, e outros o têm comentado. Trata-se de um texto que permaneceu, durante demasiado tempo, no "segredo dos deuses". Percebe-se porquê: ele constitui, ao mesmo tempo, a matriz inspiradora e a legitimação "a priori" da revisão a que esta equipa ministerial entendeu submeter o Estatuto da Carreira Docente. Precisamente por isso, este texto merece sair do quase secretismo onde foi estrategicamente encerrado e deve ser exposto diante dos seus principais interessados: os professores.

A análise a que o iremos sujeitar não pretende ser exaustiva. Deter-nos-emos apenas nos aspectos que nos parecem mais significativos. Descobrir este texto é, de facto, mergulhar nas raízes de muitas das políticas educativas que o Ministério tem despejado sobre as escolas e sobre os profissionais do ensino. O Paulo falou de «arqueologia» do Estatuto da Carreira Docente. Nós preferimos o termo mais nietzschiano de genealogia, por ser uma palavra que retém uma atitude de suspeição face às maquilhagens retóricas que procuram disfarçar e servir certos interesses inconfessados e inconfessáveis.

Logo nos primeiras páginas do relatório de João Freire, há um pormenor que não pode deixar de causar estranheza até ao leitor mais distraído ou mais benevolente. De facto, o estudo parece ter sido encomendado pela Ministra a 27 de Setembro de 2005, numa carta onde explicitava os objectivos que esse trabalho deveria preencher: nada mais, nada menos do que a «revisão urgente do modelo de progressão nas carreiras de educadores de infância e de professores do ensino básico e secundário, norteada pelo princípio da valorização da prática lectiva e sustentada por referências comparativas com outras carreias profissionais de estatuto social equivalente em Portugal e com carreiras homólogas em outros países» (p. 8). Seria de esperar que um objectivo tão extenso e tão ambicioso, requerendo o tratamento analítico de imenso material empírico, a exploração de comparações pertinentes entre sistemas educativos de vários países e entre carreiras profissionais diversas, obrigasse a um longo período de trabalho científico. A virtude da "ruminação", própria do tempo da ciência, não se compadece, de facto, com as "urgências" do tempo político. Ora, qual não é o nosso espanto quando constatamos que João Freire realizou a proeza de ter o estudo pronto em... Dezembro. Pouco mais de três meses foi quanto bastou para responder a um objectivo cuja complexidade intrínseca pareceria incompatível com a celeridade das decisões políticas. Em nosso entender, esta pressa contamina todo o estudo de João Freire e compromete a qualidade e o rigor que alguns, mais "generosos", lhe apontam. Na verdade, pensamos que aqui a questão da temporalidade não é inocente, nem isenta de consequências. Ela remete para um ponto fundamental e embaraçoso da actividade científica contemporânea: o das relações promíscuas entre a ciência institucionalizada e o poder político. Numa cultura em que a religião deixou, há muito, de fornecer a caução legitimadora dos actos políticos, é a ciência que se vê solicitada a desempenhar esse papel. Os ganhos materiais e simbólicos que daí decorrem são um poderoso atractivo para muitos cientistas e uma almofada sedutora onde repousam muitos casos de desonestidade intelectual. Poder-se-á objectar que o estudo de João Freire, na sua génese, nunca pretendeu constituir uma tese de investigação aprofundada sobre um determinado tema, mas, tão-só, um produto de encomenda para satisfazer uma necessidade política conjuntural. Porém, não é exactamente assim que ele se nos apresenta, nem é assim que o seu autor e o próprio Ministério o querem ver reconhecido. O texto de João Freire habita, pois, uma zona cinzenta onde o científico se confunde com o político, e na qual o ideológico se recusa a dizer o seu nome. Cabe-nos, portanto, denunciar o que procura, desse modo, furtar-se ao nosso escrutínio.

Outro motivo de perplexidade que encontramos no início deste estudo é o enunciado dos «princípios e principais problemas esperados» (p. 9). Notem que não são «princípios» e «problemas» quaisquer. São, isso sim, princípios e problemas «consensualizados» numa reunião do autor com a Ministra. Essa «consensualização» obriga-nos a lê-los com atenção redobrada. Quanto aos princípios, deparamo-nos, desde logo, com a ideia de «progressividade, implícita na noção de carreira, com ou sem limitações de acesso aos escalões mais elevados, mas com reconhecimento do mérito individual e valorização da experiência». Sim, leram bem: parece que a Ministra e o seu antigo mestre João Freire admitiam que a progressão dos professores pudesse ser feita sem limitações de acesso aos escalões mais elevados. É verdade que semelhante hipótese vai ser rapidamente descartada pelo próprio estudo, mas não deixa de ser bizarro vê-la referida à cabeça do texto. Também é digno de nota, por ser tragicamente cómico, que entre os tais princípios «consensualizados» se contem coisas como a «simplicidade de compreensão do sistema e dos próprios processos» e, sobretudo, a «não desvalorização salarial dos docentes em exercício». A obscuridade perversa dos textos legislativos produzidos pela actual equipa ministerial - um detalhe em que ela não é, aliás, inovadora - e as medidas economicistas para bloquear a promoção salarial dos professores dispensam comentários adicionais sobre a coerência com que o Ministério tem interpretado esses dois últimos princípios. Mas, quando nos voltamos para os «principais problemas esperados» pelo autor do estudo, encontramos afirmações deveras curiosas (embora não necessariamente intrigantes). De facto, João Freire considerava "problemática" a «manutenção de uma carreira única», ou que a «transição de regimes legais» se fizesse com «respeito por direitos adquiridos», ou ainda - e isto é verdadeiramente espantoso num texto que se quer científico e nada ideológico - a «negociação da concretização ou ajustamento de soluções com as associações sindicais do sector». Será aqui que devemos encontrar a raiz do desprezo com que Maria de Lurdes Rodrigues tratou os sindicatos de professores ao longo de todo o processo negocial do Estatuto da Carreira Docente?

(Esta reflexão é para continuar)
Actualizado em ( 02-Jul-2008 )


publicado pela Associação dos Professores e Educadores para a Defesa do Ensino em 2 de Julho de 2008

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