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sábado, janeiro 31, 2009

Pinto Balsemão - Sócrates é descartável

Francisco Pinto Balsemão
No dia em que nome do Primeiro Minsistro José Sócrates Pinto de Sousa faz as manchetes de todos os jornais, apetece-me antes falar desta figura-sombra do poder em Portugal. A Francisco Pinto Balsemão, nada lhe dá mais conforto que sentir que os mais altos representantes do poder político democrático são peças descartáveis. O ingénuo José Sócrates experimenta agora o reverso da sua fulgurante ascensão.
Formalmente, José Sócrates foi eleito para cumprir um programa eleitoral sufragado. Nesse programa não constavam as medidas de precarização extrema das condições contratuais dos trabalhadores, tampouco a perseguição intimidatória aos professores e muitas outras medidas que caracterizaram o seu magistério. Os resultados são amplamente satisfatórios para Balsemão. No entanto, Sócrates arrisca-se a sair pela porta pequena devido uma inadmissível ingerência da imprensa de Balsemão nos trabalhos de investigação da polícia judiciária. Entre as informações publicadas hoje pelo jornal de Balsemão, só falta mesmo o nome dos que retiraram peças dos processos para as fazer chegar à imprensa.
Últimamente tem crescido entre os partidos ditos "da governabilidade", ou seja, entre os partidos que conseguem menos eleitores por cada deputado eleito, a noção de que no final deste ano só uma solução à Alemanha, de bloco central no governo, é capaz de prosseguir as políticas neoliberais já encetadas. José Sócrates não compreendeu estes avisos. Agora vai prestar contas ao homem que o promoveu durante toda a legislatura, e mesmo antes dela, quando o convidou para uma célebre reunião do clube de Bilderberg.

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quinta-feira, janeiro 29, 2009

Suspensão da avaliação dos docentes nos Açores

Será que o que é verdade para o PS dos Açores não o é para o PS do continente? Serão partidos diferentes? Se não, vejamos:

Suspensão da avaliação docente nos Açores
(clique para ver o vídeo)

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Domenico Losurdo - Autofobia

Domenico LosurgoNo rescaldo de uma grande derrota mundial na luta pelo Socialismo, Losurdo desenvolve observações muito acutilantes, cuja pertinência é facilmente reconhecida por inúmeros episódios dos dias que vivemos.

A condenação da violência em absluto é uma posição política ou pertence ao foro religioso?
Qual o significado de se enaltecer apenas os mártires?
Que valor tem tentar eclipsar uma parte da experiência histórica?

Um texto para os mais afoitos:
O Movimento comunista: da autofobia ao desenvolvimento do processo de aprendizagem

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O Estudo é da OCDE ou não?

O Partido Socialista mente
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O Partido Socialista mente
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PS modifica texto online sobre "relatório da OCDE"

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terça-feira, janeiro 27, 2009

Rui Gonçalves - Doença de TARGARDT

Exmo(a) Senhor(a)

Vivo nos arredores de Lisboa e sou pai de uma menina, agora com 7 anos, que é portadora da doença de TARGARDT (degeneração da mácula), o que faz com que perca a visão central ), doença essa que é actualmente incurável, mesmo no estrangeiro. Como não é fácil obter informações a nível nacional, resta-me a Internet para adquirir um conhecimento mais profundo que me ajude a lidar com esta doença, pois mesmo em Lisboa a única ajuda que me foi facultada foi de uma associação (mais concretamente a Associação de Retinopatias de Portugal), associação essa que também padece do problema de falta de apoio, pois é uma entidade privada. O grande objectivo deste mail é tentar arranjar maneira de contactar pessoalmente, familiares ou amigos dessas pessoas que sofram da mesma ou semelhante doença, para fazer um rastreio, com um único pensamento: - Difundir e trocar informações acerca desta doença. POR FAVOR divulguem este mail pelos vossos contactos e/ou se tiverem conhecimento pessoal de um caso semelhante, agradecia que me contactassem:

mailto:rgoncalves@ruralinf.pt

MUITO E MUITO OBRIGADO

Rui Gonçalves

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quinta-feira, janeiro 22, 2009

Fernando Nobre - Grito e choro por Gaza e por Israel

Recebido por email. (AF)

Fernando NobreHá momentos em que a nossa consciência nos impede, perante acontecimentos trágicos, de ficarmos silenciosos porque ao não reagirmos estamos a ser cúmplices dos mesmos por concordância, omissão ou cobardia.

O que está a acontecer entre Gaza e Israel é um desses momentos. É intolerável, é inaceitável e é execrável a chacina que o governo de Israel e as suas poderosíssimas forças armadas estão a executar em Gaza a pretexto do lançamento de roquetes por parte dos resistentes ("terroristas") do movimento Hamas.

Importa neste preciso momento refrescar algumas mentes ignorantes ou, muito pior, cínicas e destorcidas:

- Os jovens palestinianos, que são semitas ao mesmo título que os judeus esfaraditas (e não os askenazes que descendem dos kazares, povo do Cáucaso), que desesperados e humilhados actuam e reagem hoje em Gaza são os netos daqueles que fugiram espavoridos, do que é hoje Israel, quando o então movimento "terrorista" Irgoun, liderado pelo seu chefe Menahem Beguin, futuro primeiro ministro e prémio Nobel da Paz, chacinou à arma branca durante uma noite inteira todos os habitantes da aldeia palestiniana de Deir Hiassin: cerca de trezentas pessoas. Esse acto de verdadeiro terror, praticado fria e conscientemente, não pode ser apagado dos Arquivos Históricos da Humanidade (da mesma maneira que não podem ser apagados dos mesmos Arquivos os actos genocidários perpetrados pelos nazis no Gueto de Varsóvia e nos campos de extermínio), horrorizou o próprio Ben Gourion mas foi o acto hediondo que provocou a fuga em massa de dezenas e dezenas de milhares de palestinianos para Gaza e a Cisjordânia possibilitando, entre outros factores, a constituição do Estado de Israel..

- Alguns, ou muitos, desses massacrados de hoje descendem de judeus e cristãos que se islamizaram há séculos durante a ocupação milenar islâmica da Palestina. Não foram eles os responsáveis pelos massacres históricos e repetitivos dos judeus na Europa, que conheceram o seu apogeu com os nazis: fomos nós os europeus que o fizemos ou permitimos, por concordância, omissão ou cobardia! Mas são eles que há 60 anos pagam os nossos erros e nós, a concordante, omissa e cobarde Europa e os seus fracos dirigentes assobiam para o ar e fingem que não têm nada a ver com essa tragédia, desenvolvendo até à náusea os mesmos discursos de sempre, de culpabilização exclusiva dos palestinianos e do Hamas "terrorista" que foi eleito democraticamente mas de imediato ostracizado por essa Europa sem princípios e anacéfala, porque sem memória, que tinha exigido as eleições democrática para depois as rejeitar por os resultados não lhe convirem. Mas que democracia é essa, defendida e apregoada por nós europeus?

- Foi o governo de Israel que, ao mergulhar no desespero e no ódio milhões de palestinianos (privados de água, luz, alimentos, trabalho, segurança, dignidade e esperança ), os pôs do lado do Hamas, movimento que ele incentivou, para não dizer criou, com o intuito de enfraquecer na altura o movimento FATAH de Yasser Arafat. Como inúmeras vezes na História, o feitiço virou-se contra o feiticeiro, como também aconteceu recentemente no Afeganistão.

- Estamos a assistir a um combate de David (os palestinianos com os seus roquetes, armas ligeiras e fundas com pedras...) contra Golias (os israelitas com os seus mísseis teleguiados, aviões, tanques e se necessário...a arma atómica!).

- Estranha guerra esta em que o "agressor", os palestinianos, têm 100 vezes mais baixas em mortos e feridos do que os "agredidos". Nunca antes visto nos anais militares!

- Hoje Gaza, com metade a um terço da superfície do Algarve e um milhão e meio de habitantes, é uma enorme prisão. Honra seja feita aos "heróis" que bombardeiam com meios ultra-sofisticados uma prisão praticamente desarmada (onde estão os aviões e tanques palestinianos?) e sem fuga possível, à semelhança do que faziam os nazis com os judeus fechados no Gueto de Varsóvia!

- Como pode um povo que tanto sofreu, o judeu do qual temos todos pelo menos uma gota de sangue (eu tenho um antepassado Jeremias!), estar a fazer o mesmo a um outro povo semita seu irmão? O governo israelita, por conveniências políticas diversas (eleições em breve...), é hoje de facto o governo mais anti-semita à superfície da terra!

- Onde andam o Sr. Blair, o fantasma do Quarteto Mudo, o Comissário das Nações Unidas para o Diálogo Inter-religioso e os Prémios Nobel da Paz, nomeadamente Elie Wiesel e Shimon Perez? Gostaria de os ouvir! Ergam as vozes por favor! Porque ou é agora ou nunca!

- Honra aos milhares de israelitas que se manifestam na rua em Israel para que se ponha um fim ao massacre. Não estão só a dignificar o seu povo, mas estão a permitir que se mantenha uma janela aberta para o diálogo, imprescindível de retomar como único caminho capaz de construir o entendimento e levar à Paz!

- Honra aos milhares de jovens israelitas que preferem ir para as prisões do que servir num exército de ocupação e opressão. São eles, como os referidos no ponto anterior, que notabilizam a sabedoria e o humanismo do povo judeu e demonstram mais uma vez a coragem dos judeus zelotas de Massada e os resistentes judeus do Gueto de Varsóvia!

Vergonha para todos aqueles que, entre nós, se calam por cobardia ou por omissão. Acuso-os de não assistência a um povo em perigo! Não tenham medo: os espíritos livres são eternos!

É chegado o tempo dos Seres Humanos de Boa Vontade de Israel e da Palestina fazerem calar os seus falcões, se sentarem à mesa e, com equidade, encontrarem uma solução. Ela existe! Mais tarde ou mais cedo terá que ser implementada ou vamos todos direito ao Caos: já estivemos bem mais longe do período das Trevas e do Apocalipse.

É chegado o tempo de dizer BASTA! Este é o meu grito por Gaza e por Israel (conheço ambos): quero, exijo vê-los viver como irmãos que são.



Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre, 4 de Janeiro de 2009

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quarta-feira, janeiro 21, 2009

Reposição da legalidade na vida escolar

Nasceu na blogosfera uma iniciativa inédita. Depois de observados inúmeros atropelos à legalidade cometidos pelos mais altos responsáveis do Minsitério da Educação, foi ponderada a hipótese de impugnar legalmente inúmeros despachos e ofícios que contrariavam as leis mais gerais em vigor. Todos os cidadãos que, ao longo desta legislatura, sentiram que os atropelos à lei estão na raíz da instalidade verificada no sector da educação, estão convidados a oferecer a sua contribuição para os custos que serão partilhados, uma oportunidade única de participação na vida cívica do país com consequências que se esperam de grande alcance para a forma de exercício do poder destes dias em diante. A forma de pagamento única permitida será através de transferência para um Número de Identificação Bancária (NIB) que divulgaremos logo que possível. O montante inicialmente previsto para cada contribuição individual é de 10 €.

Mais informações aqui e aqui.

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Kathy Kelly - A arma mais poderosa

Guerra em Gaza

O Dr Atalá, médico, convidou-me para uma visita a sua casa na cidade de Gaza situada a poucos quarteirões de distância do Hospital Chifá.

De manhãzinha, havia regressado a casa com a sua família, após uma fuga de cinco dias que duraram os ataques mais intensos à cidade de Gaza, receando pelas suas vidas. Acreditem, ao conduzir o carro desde o Hospital até ao sítio onde se encontrava a minha família, rezava todo o tempo, disse o Dr Atalá, porque os israelitas disparavam sobre qualquer um que estivesse à noite nas ruas.

O Dr Atalá exerceu medicina na especialidade de cirurgia geral ao longo de toda a sua carreira. Hoje, com 61 anos, afirma nunca ter observado feridas tão terríveis como as que viu nas três últimas semanas, quando ele e os restantes elementos da sua equipa procuraram socorrer numerosos pacientes com membros partidos, feridas de estilhaços de granadas e queimaduras graves. Neurocirurgiões, cirurgiões vasculares, ortopédicos e de cirurgia geral juntaram-se para tratar de pacientes, como equipa, tentando salvá-los, mas houve muitos que não foram salvos. Descreveu doentes com estilhaços de granada nos olhos, no rosto, no peito, nos abdómen, doentes a quem tiveram que amputar as pernas acima do joelho. A maior parte deles - disse - eram civis.

Há maneiras estranhas de destruir o corpo humano, acrescentou o Dr Atalá. Vinde, por favor, amanhã à Unidade de Queimados, e vereis doentes sofrendo do uso de fósforo branco. O Dr Atalá disse que começou a compreender a extensão do trauma e do perigo ao ouvir as histórias dos pacientes atingidos.

Alguns estavam sentados em casa quando foram atingidos por uma bomba de um tanque. Não souberam o que lhes aconteceu, disse. Os sobreviventes chegaram ao Hospital depois de muitos dos seus familiares terem sido mortos. Doentes de Beit Laía disseram que uma grande família de 25 pessoas foi atacada em uma sua casa. Quando os familiares os vieram ajudar, atiradores furtivos (snipers) israelitas mataram oito. Muitos feridos foram deixados ao abandono até morrerem. Não foi permitida a entrada na zona de ambulâncias ou de socorristas da Cruz Vermelha.

Numa das anunciadas interrupções dos bombardeamentos, Israel aproveitou para bombardear a Praça Palestina, próxima aos escritórios da administração municipal. Quatro dos feridos graves que chegaram ao hospital não conseguimos salvá-los - disse Atalá. Outros sete sobreviveram.

Todos os edifícios importantes para os serviços de manutenção de Gaza foram bombardeados. Desde ministérios a postos de polícia, todos foram destruídos. Alguns edifícios do Hamas também, mas não todos.

Acabámos de percorrer a pé as zonas dos edifícios dos ministérios da justiça, educação e cultura: completamente destruídos. Depois, já de carro, vimos mesquitas, fábricas, casas e escolas reduzidas a escombros. Perguntámos a Atalá e razão porque, segundo a sua opinião, Israel atacou Gaza tão ferozmente.

Ele acredita que os ataques foram basicamente um acto irracional, mas que a motivação imediata para um ataque desta magnitude foi a posição de alguns candidatos face ao acto eleitoral que se aproxima, pretendendo demonstrar desta forma junto do público israelita o seu desejo de utilizar as forças armadas para garantir a segurança dos israelitas. Os palestinos acabam sempre por pagar as despesas em sangue - disse.

Um dos aspectos mais graves desta guerra - acrescentou - é a falta de respeito para com a Organização das Nações Unidas. Três escolas da Agência de Socorros das Nações Unidas (UNRWA) foram bombardeadas. Na Jabália morreram mais de 45 pessoas numa escola da ONU; os caças F16 bombardearam também estações de armanezamento e distribuição de víveres da ONU.

Do Hospital de Chifa, observámos chamas e fumo de dia e de noite. A cidade ficou permanentemente coberta de fumo e produtos químicos. Desconhecemos ainda as consequências que esta situção poderá acarretar para a saúde pública - disse Atalá.

Sim! Há lançamento de foguetes - confirmou Atalá, referindo-se aos disparos do Hamas contra cidades israelitas - e estamos solidários com qualquer israelita ferido por esses foguetes. Mas se alguém te pica com um alfinete, não irás cortar-lhe a cabeça. Simplesmente, perguntas-lhe porque está a fazer isso. As pessoas aqui estão encarceradas numa prisão onde há falta de tudo. Nada é possível ser reparado. É desejo de todos que as fronteiras estejam abertas para que os bens possam entrar e sair. Passados seis meses de fronteiras fechadas, toda a gente está insatisfeita. Agora fala-se de cessar-fogo, mas nada é adiantado sobre a abertura das fronteiras, fica por esclarecer o regresso das tropas e ainda se pretende que a NATO venha reforçar o cerco.

Espero que o Presidente Obama faça melhor que George Bush. Um poderio militar tão grande deveria estar ao serviço dos direitos humanos, não confundir-se com um grupo terrorista. Só fanáticos esperam ganhos através do terror; um estado democrático abstem-se de argumentações falaciosas para desculpar a morte em massa. Pelo contrário, um estado que procede a matanças em larga escala, deve ser julgado por um tribunal internacional.

Ainda podemos experimentar o amor. Estamos a tentar fazê-lo com judeus... por palavras e por acções. Temos que vencer. Precisamos viver em conjunto. Procuramos dar-nos bem com todos, quaisquer que sejam as opiniões. A arma mais poderosa do mundo é o amor - disse Atalá, acrescentando que sempre assim acreditou ser e procurando junto dos colegas partilhar essa convicção, fossem muçulmanos, cristãos ou judeus, ao longo da sua carreira. Declarou isso mesmo na fronteira de Eretz, logo após o início da campanha "Chumbo Pesado" lançada por Israel. Foi um dos 200 cristãos seleccionados entre 800 que se apresentaram para atravessar a fronteira e celebrar o Natal ortodoxo com familiares no "Lado Ocidental". Ao atravessar a fronteira, cumprimentou soldados israelitas: Feliz Natal. Alguns soldados retorquiam: Tens armas? Sim - respondia-lhes Atalá - Tenho a arma mais poderosa do Mundo, a arma do amor.


Kathy Kelly, The Strongest Weapon of All, publicado por Voices for Creative Nonviolence a 19 de Janeiro de 2009

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Alberto Matos - Mais papistas…

Não posso começar esta crónica sem uma saudação muito especial aos mais de cem mil professores que ontem estiveram em greve. Duas paralisações na casa dos 90%, no espaço de um mês e meio, é um facto sem paralelo no sindicalismo português, antes ou depois do 25 de Abril. A actual luta dos professores constitui aliás um movimento social inédito no nosso país, que extravasa muito as fronteiras do sindicalismo. Desde logo porque nasceu nas próprias escolas, como resposta genuína à prepotência e ao autoritarismo da equipa ministerial teimosamente apoiada por José Sócrates. A contestação generalizada a este modelo de avaliação anti-pedagógico surpreendeu os próprios sindicatos que assinaram o polémico Acordo com o ME, em Abril de 2008.

Mas as causas e consequências dos protestos dos professores vão muito para além da avaliação, do estatuto que separou artificialmente a carreira entre titulares e não-titulares e dum modelo de gestão anti-democrático que pretende, de algum modo, restaurar a bafienta figura do "senhor reitor". A luta não ficou confinada nas escolas, ganhou o espaço público e protagonizou, em pouco mais de meio ano, duas das maiores manifestações de sempre em Portugal, com 100 e 120 mil participantes, seguramente as únicas que conseguiram trazer à rua a maioria qualificadíssima de uma só classe profissional. Tudo isto apesar da chantagem, das ameaças e dos cantos de sereia. É obra!

As repercussões sociais e políticas deste movimento ainda nos escapam. Mas, justamente por ele se situar no coração do sistema educativo, por ter envolvido pais, alunos e toda a sociedade, o mínimo que se pode dizer é que estamos a assistir a uma aula magistral de educação cívica. Os direitos e a dignidade profissional dos professores não cederam a ameaças nem estão à venda perante recuos "simplex" que apenas confirmam a falta credibilidade de um modelo de avaliação mal copiado de paragens longínquas e que já nem é levado a sério pelos seus promotores.

Perante esta afirmação de dignidade profissional e cívica de que se orgulha legitimamente a classe docente, destoa o clima de intimidação e as pressões intoleráveis exercidas sobre os professores de duas escolas da cidade de Beja – a Mário Beirão e a D. Manuel I – por sinal, tive o gosto de ser professor, delegado e dirigente sindical nestas duas escolas, na já longínqua década de 80. Não posso pois calar a indignação perante o que se tem passado, em particular na Secundária D. Manuel I, a nossa velhinha Escola Industrial e Comercial de Beja.

Mais de 90 dos 114 professores desta Escola pediram, no final do primeiro período lectivo, a suspensão de avaliação, depois da greve a que aderiram cerca de 80 docentes. Já em Janeiro, na sequência do Dia de Reflexão, mais de 70 subscritores solicitaram a convocação de uma Reunião Geral de Professores, ao abrigo do Artigo 497 da Lei 99/2003 – vulgo Código do Trabalho. Espantosa foi a reacção dos órgãos de gestão da Escola: esta reunião seria ilegal à face a um regulamento recentemente imposto à função pública – como se os funcionários do Estado pudessem ver os seus direitos diminuídos face à lei geral e, sobretudo, face á Constituição da República Portuguesa que consagra o direito de reunião no seu Artigo 45.

Pior: além de "não autorizar" uma reunião que apenas tinha de ser comunicada e nem carece de autorização, o órgão de gestão da Escola marcou ele próprio, para o mesmo dia e a mesma hora, uma reunião, com um ponto único: "Esclarecimento de dúvidas concretas em relação ao processo de avaliação de desempenho na forma simplificada". E impõe logo uma metodologia: "as questões serão respondidas por ordem de inscrição pelos elementos do CCAD, partindo-se do princípio que os docentes consultaram os sites do ministério relativos à legislação". Ou seja: temos uma sessão de explicações aos meninos que ainda não apreenderam a excelência deste modelo de avaliação! Às vezes dá-me uma saudade de voltar á Escola… Ah! E se me perguntarem quem é que me contou tudo isto, como agora está na moda, aprendi há muitos anos que não se fala, nem na PIDE.

Alberto Matos – Crónica semanal na Rádio Pax – 20/01/2009
APEDE

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terça-feira, janeiro 20, 2009

"A força da mudança"

Yes, we can

Grafismo: Galeria do Fernando

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Fátima Inácio Gomes - Carta Aberta aos meus Colegas de Departamento

Caríssimos,

Fátima Inácio GomesEm breve fará um ano que me elegestes Coordenadora do Departamento de Línguas. Um ano depois, escrevo-vos para vos comunicar que entreguei, hoje, o meu pedido de demissão do cargo. Sinto, pela confiança que em mim depositastes naquela data e desde então, que vos devo uma explicação. Conforme aleguei no meu pedido de demissão
"Os acontecimentos que se arrastam desde Janeiro de 2008 em torno do processo de Avaliação de Desempenho dos Professores, os avanços e recuos em matéria legal e funcional nesta matéria, assim como no Estatuto do Aluno do Ensino não Superior, a degradação do clima relacional e o desgaste provocado por um acréscimo de trabalho de ordem burocrático que acresce irremediavelmente por força de constantes alterações dos diplomas legais, criaram condições cada vez mais difíceis para o desempenho sério e rigoroso do trabalho que a professora reputa de maior importância – a leccionação da disciplina de que é titular e responsável.".

Creio que contribui, ao longo deste ano, para um debate sério e responsável das matérias que nos têm atormentado. Saio com a consciência de tudo ter feito para derrotar o monstro da prepotência ministerial em sede de pedagógico e de o ter feito olhando-o de frente. Não encaro a minha saída como uma desistência da luta que nos envolve a todos - conhecem-me sobejamente para saberem que estou longe de baixar os braços. A verdade é que o Conselho Pedagógico perdeu qualquer capacidade de acção – o Ministério tratou de o esvaziar, no último decreto – e em breve perderá até qualquer sentido de representatividade democrática – o novo modelo de gestão deu-lhe a estocada final. Não posso, de todo, manter-me num cargo que, como nunca, consagra o desnivelamento injusto entre os professores. Não serei parasita de um sistema contra o qual tenho lutado! Agora sim, seria fácil ficar… todo o trabalho está feito, o desgaste de horas e horas a tentar lapidar as perversidades de umas fichas insanas faz parte do passado, quase não terei de observar aulas, ou seja, nem vos avaliarei, poderia tirar proveito da redução que me deram para o meu merecido descanso, e, ainda por cima, até poderia trabalhar descansadamente para um Excelente (no pior dos casos, um Muito Bom), quando tenho o privilégio de não precisar de ser avaliada na componente científico-pedagógica! Pois agora é a hora certa para eu sair! Não quero, não posso, tirar proveito de algo que me repugna e contra o qual tenho lutado. Onde ficaria a minha dignidade? O meu amor-próprio? A minha decência? O meu sentido de justiça?

Por ter sido eleita, ainda tenho espaço para tomar uma decisão destas. Preocupava-me prejudicar-vos com a minha saída, mas agora até esse cuidado se desvaneceu – só quem solicitar aulas observadas precisará de mim e, num momento destes, como já vos disse pessoalmente, considero uma falta de solidariedade para com os colegas solicitá-las. Daí que não me sinta moralmente obrigada em relação a quem o fizer. Não sei o que o dia de amanhã me reserva. Não sei se serei obrigada a avaliar. Mas dormirei tranquila, com a consciência de que não me deixei vencer pela letargia, pelo comodismo, pelos meus próprios interesses. Continuarei a falar com a liberdade com que me tendes ouvido, porque terei sido coerente e verdadeira até ao fim. Porque a minha voz nunca se ergueu para defender uma causa própria, mas uma causa comum, uma causa justa. E não há nada que aqueça mais o coração!

Como despedida, e não querendo parecer arrogante, lembro-vos um hino à integridade:

Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim, em cada lago a Lua toda

Brilha, porque alto vive.



Ricardo Reis


Um abraço a todos,

a vossa,



Fátima Inácio Gomes

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segunda-feira, janeiro 19, 2009

Greve contra o Estatuto da Carreira Docente

Greve Nacional dos professores de 19 de Janeiro de 2009, Portugal

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domingo, janeiro 18, 2009

Contestação dos professores - Faro

O distrito


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Faro
(clique para ampliar)

Ricardo Araújo


Corridinho do Nelito

Faro e Olhão


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Faro
(clique para ampliar)

Albufeira e Quarteira


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Faro
(clique para ampliar)

Lagos e Portimão


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Faro
(clique para ampliar)

Silves


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Faro
(clique para ampliar)

São Brás de Alportel


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Faro
(clique para ampliar)

Tavira


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Faro
(clique para ampliar)

Vila Real de Santo António


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Faro
(clique para ampliar)



Com o Distrito de Faro termina a publicação do mapa da contestação. Se o leitor se espantou com o número de escolas referidas ao longo destes artigos, cerca de 480, talvez seja melhor adiantar que estas são apenas uma parte daquelas em que se verificaram actos de contestação. (AF)

Som: Ricardo Araújo

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sexta-feira, janeiro 16, 2009

Contestação dos professores - Beja

O distrito


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Beja
(clique para ampliar)


Cante alentejano


Eu ouvi o passarinho

A cidade


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Beja
(clique para ampliar)

Odemira


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Beja
(clique para ampliar)


Som: Marius

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Ana Camarra - Vamos dar a volta a isto?

No quadro de crise que se apresenta ao país, surgem já sintomas graves, desde o abandono de idosos em Hospitais, a abandono de crianças, ao aumento não noticiado do consumo de anti depressivos, ao previsível aumento da fome, á necessidade de assumpção de medidas de emergência como a colocação de tendas e distribuição de alimentos quentes vocacionadas para os sem abrigo.

Isto é real!

Real também a esperada vaga de emigrantes de regresso ao país, emigrantes que irão voltar ao constatar o desemprego nos países onde se fixaram, voltaram esses e os seus filhos, para um país sem condições de sustentabilidade.

A destruição do sector produtivo do país, a privatização de sectores estratégicos, o desmantelamento da Agricultura e Pescas, a degradação da Saúde com a privatização parcelar do Serviço Nacional de Saúde, a descredibilização da Justiça, o ataque ao sector da Educação, os investimentos megalómanos, a utilização de dinheiros públicos na especulação dos mercados financeiros bem como as injecções de capital público na Banca Privada, levam-nos a uma situação social e económica catastrófica.

Mas não é preciso ser assim!

Ainda vamos a tempo, de reactivar sectores produtivos, de desenvolver a agricultura e pescas, de preconizar medidas de facto fundamentais para a recuperação económica e social, de tributar grandes fortunas e lucros fabulosos de alguns sectores, de recuar nas medidas aplicadas na Educação, na Justiça e na Saúde que se tem revelado injustas e alvo de grande contestação popular, de proteger o emprego e o trabalho como consagrado na Constituição, de estancar a sangria de dinheiros públicos, de promover um desenvolvimento sustentável e equilibrado para Portugal e os Portugueses.

Respeitando as especificidades regionais, as potencialidades do país e os seus recursos, físicos, estratégicos e humanos.
Vamos dar a volta a isto?!


Ana Camarra, É possível, 15 de Janeiro de 2008

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quinta-feira, janeiro 15, 2009

Agrupamento de Escolas de Celeirós- Braga

Escola de Celeirós, Braga

Analisada toda a produção normativa publicada, com particular destaque para o Decreto Lei n.º 15/ 2007 de 19 de Janeiro (Estatuto da Carreira Docente) e ainda a simplificação estabelecida pelo Decreto - Regulamentar 1-A/ 2009, de 5 de Janeiro, os professores/as e educadores/as do Agrupamento de Escolas de Celeirós , reunidos no dia 13 de Janeiro, entendem que as condições objectivas para aplicação do modelo de avaliação de desempenho dos docentes não se alteraram, no sentido de promover uma avaliação séria, credível e objectiva, tendo em conta os seguintes aspectos:
  1. O modelo de avaliação preconizado revela no essencial uma visão controladora, centralizadora e não reguladora e formativa;
  2. A implementação do referido modelo, nas suas linhas estratégicas, tem gerado e continuará a gerar e a agravar o clima de insatisfação, mal-estar e até conflitualidade entre pares e hierarquias;
  3. A sua aplicação, apesar da mais recente simplificação do processo de avaliação estabelecida através do Decreto - Regulamentar 1-A/ 2009, de 5 de Janeiro, não evitará o aumento do trabalho burocrático nas escolas, em detrimento das funções pedagógicas que constituem a tarefa prioritária dos professores e educadores;
  4. O desenvolvimento de todo o processo, tem por base a divisão da carreira em duas categorias (professor titular e não titular), ditado por um concurso injusto e arbitrário;
  5. Os professores avaliadores, artificialmente encontrados, carecem naturalmente de falta de formação e de experiência em supervisão (as competências de avaliação dos alunos não são as mesmas da avaliação dos seus pares);
  6. O modelo apresentado, apenas suspende temporariamente a inclusão de critérios de avaliação, tais como os resultados escolares dos alunos e taxas de abandono escolar. Esta suspensão não tem carácter definitivo, pelo que estes critérios, podem ser incluídos a qualquer momento no processo de avaliação dos docentes.
    Acresce, mais uma vez referir a centralização da responsabilidade no docente em factores que são exógenos ao exercício da sua actividade.
  7. O regime de quotas impõe uma manipulação dos resultados da avaliação, devido aos “ acertos” impostos pela existência de percentagens máximas para a atribuição das menções qualitativas de Muito Bom e Excelente;
  8. Questiona-se ainda a intenção da tutela, em impor um modelo de avaliação tão restritivo e persecutório que não segue os ditames ou parâmetros europeus que tanto evoca relativamente a outros aspectos. Fica patente a suspeita da prevalência de valores economicistas, em detrimento de valores que promovam o desenvolvimento profissional em benefício da qualidade das aprendizagens leccionadas.
  9. Questiona-se ainda a legitimidade de um modelo, que na sua génese apresenta graves lacunas, uma vez que aspectos inicialmente tidos como essenciais e intocáveis foram agora alterados e revogados. Referimo-nos concretamente à avaliação da componente científico – pedagógica, bem como á observação de aulas, que podem ou não ser requeridas em função do interesse da obtenção final pretendida.
Por tudo quanto foi referido anteriormente, os professores/ as e educadores/ as presentes na reunião, os quais representam 76 % do total de elementos do quadro docente deste agrupamento, manifestam:
  • A sua disponibilidade para continuar a lutar por um ECD que dignifique e valorize a profissão docente;
  • A vontade de serem avaliados segundo um modelo justo, digno e semelhante àquele que é aplicado noutras classes profissionais ou mesmo dos seus pares europeus;
  • A sua determinação e vontade inequívoca de suspender todas as iniciativas e actividades relacionadas com o modelo de avaliação proposto, recusando como tal a entrega dos Objectivos Individuais.

  • Esta posição visa a defesa de um ensino público de qualidade em que todos os “actores”, incluindo os docentes, se devem sentir como parte integrante da valorização e credibilização do sistema e não como o “bode expiatório” dos problemas do mesmo.

    Celeirós, 13 de Janeiro de 2009

    Os docentes reunidos em Assembleia Geral

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    Contestação dos professores - Évora

    O distrito


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Évora
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    Cante Alentejano


    Ao passar da ribeirinha

    A cidade


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Évora
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    Estremoz


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Évora
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    Som: Marius

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    Ludo Rex - A informação assimétrica

    Título da minha responsabilidade (AF)




    Doze Regras de Redacção dos Grandes Media Internacionais quando a notícia é do Médio Oriente
    1. No Médio Oriente são sempre os árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. É inconveniente falar em «represálias» quando se tratar do exército israelita.
    2. Os árabes, palestinianos ou libaneses não têm o direito de matar civis. A isso chama-se «terrorismo».
    3. Israel tem o direito de matar civis. A isso chama-se «legítima defesa».
    4. Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais comedido. A isso chama-se «reacção da comunidade internacional».
    5. Os palestinianos e os libaneses não têm o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isso chama-se «sequestro de pessoas indefesas».
    6. Israel tem o direito de sequestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinianos e libaneses desejar. Actualmente são mais de 10 mil, 300 dos quais são crianças e mil são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter sequestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades eleitas democraticamente pelos palestinianos. Isto chama-se «prisão de terroristas».
    7. Quando se mencionam as palavras «Hezbollah» e «Hamas», é obrigatório a mesma frase conter a expressão «apoiado e financiado pela Síria e pelo Irão».
    8. Quando se menciona «Israel», é proibida qualquer menção à expressão «apoiado e financiado pelos EUA». Isso poderia dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo de existência.
    9. Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões «territórios ocupados», «resoluções da ONU», «violações dos Direitos Humanos» ou «Convenção de Genebra».
    10. Tanto os palestinianos como os libaneses são sempre «cobardes», que se escondem entre a população civil. Se eles dormem nas suas casas, com as suas famílias, a isso dá-se o nome de «dissimulação» e «cobardia». Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles dormem. A isso chama-se «acção cirúrgica de alta precisão».
    11. Os israelitas falam melhor inglês, francês, espanhol e português que os árabes. Por isso eles e os que os apoiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidades do que os árabes para explicar as presentes Regras de Redacção (de 1 a 10) ao grande público. A isso chama-se «neutralidade jornalística».
    12. Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redacção acima expostas são «terroristas anti-semitas de alta periculosidade».


    Ludo Rex, Palestina - Atenção ao Livro de Estilo!, 14 de Janeiro de 2009

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    quarta-feira, janeiro 14, 2009

    Maria da Glória Costa - O tempo urge

    Deixem-se de conversas, pois é agora ou nunca!

    Onde estais vós, gente de pouca fé?! Hoje dói-me a alma, a desilusão apoderou-se de mim. Tenho vergonha de pertencer a uma classe de professores que tem medo; que não acredita que para se conseguir algo são necessários sacrifícios; que é agora ou nunca; que o tempo urge; que já não há que acreditar em falsas promessas.O hoje passou e o amanhã não será melhor, se nada fizermos. Onde pára essa gente de fortes convicções? Estou cansada de ouvir tantos disparates, tanta caricaturização, tanta justificação , tanta falta de informação !!! Onde estão os 120 mil ? fizeram como a avestruz?

    Hoje confirmei que portugueses há muitos, mas quero aqui tecer um elogio a todos aqueles que acreditam e têm vontade de mudar este país.

    Tenho vergonha dos nossos representantes políticos. Politizaram uma questão tão séria como é o ensino público, pondo em risco a continuação de um ensino público credível, brincaram com a vida de 120 mil profissionais.

    Não sou fundamentalista, mas temo pela democracia neste país e quero que os meus filhos vivam em democracia.

    Nestes últimos anos senti-me ultrajada por um ministério que não me respeita.

    Hoje dei mais um passo em frente...não entrego, nem entregarei os objectivos individuais, faço uma greve por período indeterminado, faço tudo o que ainda estiver ao meu alcance para derrubar esta política de ensino insana. Não aceito que um ano de luta acabe por parir um rato.

    Não me venham com a treta de que devo ter outros meios de me sustentar. Não, não tenho. Tenho quatro filhos a estudar, um na Universidade, um apartamento e um carro que pago às prestações e todas as despesas inerentes a uma família numerosa. Não tenho pais ricos, aliás a minha mãe é viúva e aposentada. Ah e já não tenho marido.

    Quando ouço alguns colegas que desabafam: Ai eu tenho um filho a estudar na universidade e não posso perder parte do meu ordenado. Pois eu também tenho um na universidade e mais três em idade escolar.

    Esses três mais novos acompanharam-me a Lisboa, quis dar-lhes uma lição de democracia ao vivo e a cores e quero ser um exemplo para eles. Quero que eles no futuro sigam o meu exemplo, não aceitem nada com base no medo, que lutem pelos seus ideais, que sejam gente com valores, carácter, com fortes convicções e cidadãos bem formados.



    Maria da Glória Costa, uma mulher de uma só cara!

    (Escola Secundária de Barcelos)



    (Recebido via email de Fátima Gomes) (AF)

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    Contestação dos professores - Setúbal

    O distrito


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Setúbal
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    Adiafa


    As meninas da ribeira do Sado

    A cidade


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Setúbal
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    Palmela


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Setúbal
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    Sesimbra


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Setubal
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    Almada e Seixal


    Contestação do modelo de avaliação docente no distrito de Setúbal
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    Barreiro


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Setúbal
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    Santo André


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Setúbal
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    Marateca


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Setúbal
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    Som : IMEEM

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    Paula Montez - Não estamos sozinhos

    Recebido por email da Kaotica. (AF)




    Luta dos professores em Portugal


    Não nos conformemos! Não estamos sozinhos!

    "Cada um deve lutar no sítio em que estiver, no seu meio, com os seus pares, nas oportunidades que for construindo."

    E nós? Também temos a nossa parte de responsabilidade. Esperar que dali saia a resolução para o meu problema é errado. Se tenho um problema EU tenho de agir!

    Até agora pode dizer-se que a luta foi fácil.

    Bastou-nos juntar a nossa voz, o nosso nome ao de dezenas de professores do nosso agrupamento, ao de milhares de professores de todo o país.

    Agora, confrontados com um papel que exige que assumamos individualmente a nossa recusa ou aceitação desta avaliação e desta carreira dividida, é chegada a hora de mostrarmos ser capazes de defender as nossas convicções com coerência e coragem.

    Ninguém nos disse que esta luta ia ser fácil … ou rápida.

    De facto não o é.
    1. Ninguém é obrigado a entregar objectivos individuais
    2. Ninguém está a obrigado a outro procedimento que não seja o da auto-avalização
    3. Nenhum professor concorda com este SIMPLEX porque ele nega tudo o que é fundamental numa avaliação de professores – o seu envolvimento com os seus colegas e alunos no ensino e nas aprendizagens.
    4. Este SIMPLEX revela as verdadeiras intenções do ME – impedir a progressão, poupar à custa dos professores, semear desconfianças que alimentem hierarquias dentro das escolas.


    Mas atenção não é preciso que essa recusa passe a escrito, tão simplesmente. Basta não o fazer.

    Se forem poucos a assumir com coragem aquilo que a maioria deseja, podem passar por momentos difíceis … e isso não é justo, pois não? A Força desta nossa luta é a unidade de todos em torno de objectivos comuns. VAMOS CONTINUAR UNIDOS!

    Para isso, o que podemos fazer?

    MANTER A SUSPENSÃO EM CADA ESCOLA, EM CADA AGRUPAMENTO, APOIANDO-NOS UNS AOS OUTROS. VOLTANDO A FAZER TUDO DE PRINCÍPIO COMO JÁ FIZEMOS.

    Não é verdade que já passámos pelos 2/2008 e 11/2008? Não resistimos? Não fomos obrigando o ME a recuos e ao descrédito?

    Parar agora é morrer! Estou de acordo com a estratégia:
    1. 13 de Janeiro encher salas de reunião – fazer bons plenários
    2. 19 de Janeiro fazer uma grande greve – voltar a fechar escolas
    3. Daí para a frente manter a suspensão nas escolas e intervir durante os processos de negociação que vão decorrer com os sindicatos. Penso que será muito importante para que os Sindicatos aproveitem as nossas sugestões e propostas e vão construindo a partir delas


    MÃOS À OBRA, COLEGAS!



    Ilustração: bilros & berloques

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    terça-feira, janeiro 13, 2009

    Contestação dos professores - Lisboa

    O distrito


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Carlos do Carmo


    Lisboa, menina e moça

    A cidade


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Benfica


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Queluz e Amadora


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Belém


    Contestação do modelo de avaliação docente no distrito de Lisboa
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    Algés


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Cascais e Oeiras


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Sintra e Cacem


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Loures e Sacavem


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Póvoa de Santa Iria


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Olaias


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Som : IMEEM

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    segunda-feira, janeiro 12, 2009

    Contestação dos professores - Portalegre

    O distrito


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Portalegre
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    Brigada Vitor Jara


    Ao romper da bela aurora

    A cidade


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Portalegre
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    Som: Marius

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    domingo, janeiro 11, 2009

    Mahmud Darwish - O teu silêncio dói-me

    Palestina
    O teu silêncio dói-me. Tanto como a vida. Tanto como o tempo.
    Mahmud Darwish

    Pensar, Escrever, Desenhar, Reenviar, Opinar, Participar… Gritar
    Para que o Silêncio não nos transforme em cúmplices
    Não ao Genocídio
    Não ao Holocausto Palestiniano
    Não à Invasão Sionista
    Pela Liberdade da Palestina
    Não ao Bloqueio
    Palestina Livre
    Respeito pelo Tratado de 1967

    (In, arte, revolución y utopía)

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    Ana Maria Bonifácio - Mensagem de uma professora

    Caríssimos:
    Este foi o mail que enviei à minha antiga orientadora de estágio agora excelsa deputada pelo PS. É uma das deputadas, que apesar de professora, apoia esta avaliação.

    Rosalina:
    Parabéns! Já vi que alguns anos no Parlamento te fizeram esquecer o que era ser professora. É triste ver que outros "valores mais altos se levantam" (se é que ainda reconheces a citação, pois esses ares poluídos de S. Bento perturbam os espíritos). É pena que os anos que aí passaste te permitam a reforma sem teres que voltar a dar aulas! Seria bom reencontrar-te na escola a ser sujeita a esta avaliação que tanto defendes. Eu continuo a mesma! "Homem de um só parecer, de uma só fé, muitas coisas pode ser mas homem da corte não é." (esta vou-te dizer de quem é pois podes não chegar lá sozinha: Sá de Miranda).

    Ana Maria Bonifácio
    (Escola Secundária de Barcelos)

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    sexta-feira, janeiro 09, 2009

    Contestação dos professores - Santarém

    O distrito


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Santarém
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    Agora é que se vai matar o porco. (Milo Mac-Mahon)
    Eugénia Lima:

    Fandango

    A cidade


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Santarém
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    Almeirim


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Santarém
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    Rio Maior


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Santarém
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    Entroncamento


    Contestação do modelo de avaliação docente no Santarém
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    Abrantes


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Santarém
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    Tomar


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Santarém
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    Som : IMEEM

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