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segunda-feira, abril 19, 2010

Deus

É uma perda de tempo afirmar que deus não existe. É como dizer que não existe fidelidade, só infidelidade. Deus existe porque foi criado pelo Homem.
Deus, este produto, fruto da criatividade e da ambição humana de tudo controlar através do conhecimento foi propagado ao longo dos tempos através da educação- em algumas famílias por convicção e noutras por uma questão prática de integração ou socialização (fazendo prevalecer a cultura dominante).
Outra coisa que também foi inventada pelo homem: Os países.
Como negar que existem?
Estão nas mentes das pessoas!
Talvez o problema não resida aqui, mas sim noutro lado:

Verbo
e.xis.tir, instransitivo
ter existência, ser real

e.xis.tên.ci.a português europeu feminino
facto de existir, de viver:

Adjetivo
re.al, comum de dois gêneros
que de facto existe, isto é, não é imaginário

A questão é que o verbo existir tem duplo sentido. Por um lado refere-se à realidade mas por outro, frases como "uma existência faustosa" conferem-lhe uma concessão ao domínio da abstracção.
Aqui está: Concreto Vs Abstracto

Em debates desta natureza seria necessário precisar primeiro com que sentido o verbo existir está a ser usado por cada elemento para que os conceitos ou ideias pudessem atingir a mente dos respectivos interlocutores.

É caso para dizer:
Sem esta concretização, não há abstracção.

Sugiro duas combinações possíveis:
1. Deus existe e os países não (forma abstracta)
2. Deus não existe mas os países sim (forma concreta)

De facto não é preciso dizer que deus não existe. Basta mostrar que a frase "deus existe" está errada porque perverte a definição do verbo existir.
Doravante não mais interpretarei a frase "Deus não existe" como uma negação de "Deus existe" mas sim como uma simples AFIRMAÇÃO.

1 Comentários:

At 23:16, Blogger José Ferrão disse...

A frase "Deus existe" (ou não existe, para o caso tanto faz) tem um significado, ou melhor uma carga que transcende a existência de Deus.
De facto, as duas formas transcendem como significado, a simples negação entre si.
Quando digo que existe, estou a afirmar uma convicção.
Quando digo que não existe, estou a hostilizar os que acreditam na sua existência.
E se não tomar cuidado, arrisco-me a ser tão missionário como aqueles que proclamam a sua fé.

 

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